Estudou Engenharia Biomédica na Universidade de Coimbra e entrou na Farfetch através do “Plug-in Graduates”, um programa de estágios para pessoas recém-licenciadas ou que trabalham há menos de dois anos. Maria Inês Ribeiro, natural de Guimarães, começou como assistant product manager e foi evoluindo, sendo agora lead product manager em Londres – para onde se mudou em março de 2022.
“A empresa foi uma base muito boa e abriu muitas portas para começar a minha carreira, portanto, tem sido bastante desafiante, mas, ao mesmo tempo, muito recompensador”, afirma.
A Farfetch sugeriu fazer a sua candidatura para a lista 30 Under 30 por ser alguém jovem e que conseguiu subir vários degraus na carreira num curto período de tempo. O percurso profissional promissor, esse, é justificado por três fatores: “a oportunidade, ter vontade de aprender e ser trabalhadora”.
Sendo uma mulher na tecnologia, sentes que impulsionas a representatividade de género no setor?
Acho que sim. É muito importante mostrarmos a nossa representatividade na tecnologia, e a verdade é que sinto que o meu trabalho e a minha visibilidade têm influenciado outras mulheres.
Neste momento, tenho três pessoas a reportar-me – todas mulheres – e tento puxar por elas, porque, às vezes, não é só fazermos as coisas bem, é, também, mostrar que as fazemos. Não temos de guardar para nós, nem ter vergonha, devemos partilhar dentro da equipa e com as outras também. Como se costuma dizer, “quem não é visto, não é lembrado”. Eu tento passar-lhes isso.
Como foi a adaptação, pessoal e profissional, em Londres?
A ideia de emigrar alegrava-me, e sentia que seria bastante bom para a minha carreira e me iria abrir horizontes. Por outro lado, iria estar mais longe da minha família – à qual sou muito ligada – e foi uma escolha difícil. Somos um grupo de dez pessoas, acho que ter essa comunidade também ajuda bastante – sinto-me em casa, tenho sempre os meus amigos por perto, e não emigrei sozinha porque o namorado também veio.
Ao nível profissional, como é óbvio, Londres é mais o centro das coisas e, quando há meetings mais importantes ou quando os clientes vão lá, sinto que isso também me faz estar mais próxima do acontecimento. E as pessoas têm sido super recetivas.
Quais os desafios da liderança?
É muito bom ver a learning curve das pessoas. Estou a gostar muito da parte de ensinar tudo do início e de ver o crescimento das pessoas. Também tem desafios, porque é muito fácil quando as pessoas estão com uma performance ótima… Se alguma coisa não estiver a correr tão bem e tivermos de dar um feedback menos bom, é sempre complexo, mas, no balanço da experiência, estou a gostar muito. É muito bom fazer o meu trabalho enquanto individual contributor, mas também sentir que consigo influenciar o crescimento de outras pessoas.
Qual a ferramenta profissional que mais usas?
O e-mail é algo que usamos muito e, infelizmente, recebemos centenas por dia; o Google Docs, porque fazemos imensas apresentações; e o software Jira, pois é onde temos tudo o que precisamos de criar no dia a dia.
Carolina Neves


