Fundada por Cees e Inge de Bruin, a Quinta do Quetzal nasceu da paixão pela cultura, natureza, gastronomia e vinhos portugueses. Adquirida em 2001, teve o primeiro vinho produzido em 2002 e a adega construída em 2006. O último passo foi dado em 2016, com a inauguração de um novo edifício com restaurante, loja e centro de arte. De forma a ter o mínimo impacto possível na paisagem envolvente, o edifício foi parcialmente revestido com xisto, em homenagem ao terroir da Serra do Mendro.
A arte do vinho
A base do negócio está nos vinhos, sendo que, dos 52,5 hectares da quinta, 22,5 são de vinha. Os fatores que os distinguem resultam da sua localização nas encostas da Serra do Mendro, beneficiando de um microclima privilegiado, com dias quentes e ensolarados, noites frescas e uma brisa atlântica que chega pelas colinas, tal como explica o diretor comercial. Ricardo Tavares sublinha ainda que estas condições garantem uma maturação “lenta e equilibrada” das uvas, enriquecida pela música que se faz ouvir nas vinhas. No que diz respeito à produção, cerca de 65 % está focada nos tintos e 35 % nos brancos.
Entre as novidades, está o Quetzal Arte Branco 2024, uma nova edição do vinho branco da gama ARTE. O administrador, Reto Jörg, descreve-o como um vinho que prolonga o diálogo entre a paisagem, a criação artística e a “forma contemporânea” como a insígnia quer mostrar o Alentejo. O mural de Kasper Bosmans “Sob a Montanha” serve de ponto de partida para o rótulo desta edição, permitindo que cada garrafa leve consigo uma extensão da obra do artista. Pela sua estrutura e equilíbrio, é um vinho versátil à mesa, ideal para acompanhar carnes brancas, pratos de peixe mais complexos e requintados, marisco e queijos leves.
Já o Quetzal Rosé Trincadeira da Coroa 2022, é produzido a partir de 100 % Trincadeira, propondo uma interpretação pouco convencional da casta na região. Classificado como D.O.C. Alentejo-Vidigueira, revela um aroma a fruta fresca, sendo possível identificar água de melancia e notas de seara seca. Este é um vinho gastronómico e com acidez, pensado para harmonizar uma refeição. O enólogo José Portela explica que o tempo em cave foi “essencial” para revelar a sua complexidade e confirmar que este é um rosé pensado para evoluir em garrafa.
O Família é a gama ícone da Quinta do Quetzal. Produzido apenas em anos excecionais, nasce de uma seleção rigorosa das uvas que melhor traduzem a essência da propriedade. Cada garrafa resulta de uma vinificação cuidada e de um envelhecimento prolongado, pensado para revelar “estrutura, longevidade e elegância”. É um vinho de contemplação, feito para evoluir e guardar, símbolo do compromisso da família com a “excelência e autenticidade” dos vinhos da Vidigueira.
Uma cozinha com assinatura alentejana
Como a Quinta do Quetzal não oferece apenas vinhos, outra das atrações é o seu restaurante. O estabelecimento, distinguido como Restaurante Recomendado pelo Guia MICHELIN, afirma-se pela sua proposta gastronómica contemporânea enraizada na identidade da região. O menu, com a assinatura do chef João Mourato, reinterpreta sabores e receitas da região, com técnicas contemporâneas, valorizando produtos locais e sazonais. Este verão, entre as propostas presentes na ementa estão: o gaspacho de cereja com gelado de queijo de cabra, o escabeche de coelho com maionese de coentro, o tártaro de garvonesa e a açorda de ovas com peixe do rio – um dos maiores bestsellers.
O Quinta do Quetzal Espumante Bruto não está disponível no mercado, mas pode ser consumido no restaurante, uma vez que foi especialmente criado para enriquecer a experiência no espaço. Desenvolvido como um vinho “especial e festivo”, é elaborado para marcar momentos significativos. Ricardo Tavares destaca o facto de ser um produto com uvas da quinta e por ser dos poucos espumantes originários do Alentejo.
Cultura em exposição
Sendo a arte contemporânea outro dos pilares do projeto, o Centro de Arte Quetzal é uma paragem obrigatória. Este espaço, localizado por baixo do restaurante, tem como objetivo levar a arte para fora dos centros urbanos. Aveline de Bruin é a curadora da coleção e a responsável pelas exposições que são apresentadas regularmente.
Até agosto, é possível visitar a exposição “Marginalia: Escrevinhando nas Margens de Espinosa”, que dialoga com a “Espinosa regressa à Vidigueira”. As obras, inspiradas na filosofia de Bento de Espinosa, pretendem convidar o subconsciente a expressar-se e celebram a capacidade de raciocínio, enquanto desafiam os binarismos.
Além disso, é ainda possível conhecer os trabalhos que compõem a exposição permanente e que podem ser descobertos em vários locais da propriedade. Estes recorrem a várias técnicas que despertam os cinco sentidos. Alguns deles são: “Goddess of Harvest”, de Müge Yilmaz; “Tomorrow’s Sky”, de Susan Philipsz; e “Quetzal bird and jungle”, de Henriette Arcelin em parceria com a Viúva Lamego.
Compromisso sustentável
Todo o trabalho desenvolvido pela Quinta do Quetzal tem a preocupação de provocar o menor impacto possível no planeta, e isso resulta em pequenos gestos. Desde as vinhas até à garrafa, cada passo do processo reflete o compromisso em preservar a terra para as gerações futuras. Os vinhos são cultivados, produzidos e engarrafados de forma sustentável na propriedade. Já os painéis solares instalados na propriedade, fornecem cerca de 80 % do consumo energético da adega. E as práticas agrícolas são de baixa intervenção, sem herbicidas agressivos, promovendo a vitalidade dos solos e a regeneração natural das vinhas.
Desta forma, a marca pretende reforçar a mensagem que a sustentabilidade é mais do que uma prática. Esta é uma filosofia de futuro que assegura que o Alentejo continue a ser fonte de vida, beleza e autenticidade para as próximas gerações.






