Bolsa de Valores Sociais negociou 17 mil euros num mês

Bolsa de Valores Sociais negociou 17 mil euros num mês
Ao fim de um mês de existência, a BVS conta com 210 investidores sociais, um milhão de euros de investimento social, três novos projectos cotados e mais de 16 mil euros negociados em acções, relativas a 310 transacções, afirmou em conferência de imprensa o responsável pelo projecto, Celso Grecco.

Lisboa, 09 Dez (Lusa) – A Bolsa de Valores Sociais (BVS) negociou perto de 17 mil euros em acções num mês e contará com mais três instituições cotadas em bolsa a partir do próximo fim-de-semana, um balanço que os responsáveis consideram “positivo”.

Ao fim de um mês de existência, a BVS conta com 210 investidores sociais, um milhão de euros de investimento social, três novos projectos cotados e mais de 16 mil euros negociados em acções, relativas a 310 transacções, afirmou em conferência de imprensa o responsável pelo projecto, Celso Grecco, considerando que a iniciativa “está a correr e a ganhar força”.

A BVS tem ainda 54 candidaturas em análise, 12 das quais em estágio final, acrescentou. Por áreas, 35 das candidaturas referem-se a projectos de empreendedorismo social e 19 de educação.

A Bolsa de Valores Sociais é um conceito criado em 2003 no Brasil para financiar projectos de luta contra a pobreza e que foi lançado em Portugal em Novembro, sendo esta a primeira da Europa e a segunda do mundo.

Apoiada pela Euronext Lisboa e as Fundações Gulbenkian e EDP, a BVS replica o ambiente de uma Bolsa de Valores, mas o investimento gera um novo tipo de lucro, o retorno social.

As primeiras acções emitidas visaram financiar projectos de quatro instituições já com trabalho consolidado em áreas distintas: Dianova, Cooperativa Terra Chã, Operação Nariz Vermelho e APPT21.

A partir do próximo fim-de-semana vão estar cotadas na bolsa três novas organizações – Etnia, PAR e ADC Moura -, estando actualmente várias outras em escrutínio para se poderem listar.

Segundo Celso Grecco, o objectivo da BVS é ter 25 projectos cotados em Janeiro.

Entre as que começam já no fim-de-semana, a Etnia visa valorizar a diversidade cultural em oito escolas do Chiado, que têm 25 por cento de alunos filhos de imigrantes com problemas de inclusão.

A PAR é uma organização que promove os Objectivos do Milénio, da ONU, junto de universitários, e que acredita que poderá estar a criar “a primeira geração capaz de exterminar a pobreza”.

ADC Moura é um projecto “Capital Aldeia” que pretende criar um centro de empreendedorismo comunitário.

Os requisitos que as empresas têm que cumprir obrigatoriamente para serem cotadas na bolsa são a “transparência e a prestação de contas”, sublinhou Celso Grecco.

Miguel Atahyde Marques, presidente da Euronext Lisbon, disse que os princípios da BVS são os mesmos da Bolsa de Valores: pôr em contacto fundos para investir e instituições que precisam de fundos para desenvolver projectos.

“É um ponto de encontro entre doadores e instituições que precisam de valores para desenvolver os seus projectos de responsabilidade social”, afirmou.

Miguel Athayde Marques sustentou que este projecto promove a transparência porque se sabe sempre o que os investidores estão a dar, o que as entidades estão a receber e como foi utilizado o dinheiro.

“Além disso, tem um objectivo de responsabilização, porque todos os envolvidos, sobretudo as instituições de solidariedade social, têm que cumprir critérios, o que os obriga a elevar a capacidade de gestão”, acrescentou.

Qualquer empresa ou cidadão a título particular pode aceder ao site www.bvs.org.pt e escolher o projecto que pretende apoiar a partir de 10 euros, sendo que o registo de investidor lhes dá a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento da iniciativa que escolherem, bem como as contas relacionadas com a respectiva actividade.

AL.

Lusa/Fim

Quarta-feira, 09 Dezembro 2009 19:13


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