Depois de um teste feito com quatro caixas da colheita de 2008, o estágio começou oficialmente a 20 de outubro, com a submersão das garrafas: caixas de 200 garrafas cada, seladas com o aval da Comissão Vitivinícola do Alentejo, foram submersas na marina, a uma profundidade que oscilou entre os 20 e os 32 metros.
O objetivo, testado e entretanto comprovado, era verificar até que ponto a pressão influenciava a qualidade do vinho. Afinal, a pressão é o único elemento não reproduzível na adega a não ser com um investimento substancial: tudo o mais – ausência de ruído e de luz e 17 graus de temperatura – se consegue fora de água.
As últimas caixas foram retiradas das águas este sábado, 16 de abril, com o contributo de mergulhadores dos bombeiros da região e na presença do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.
A prova – nas palavras de Duarte Leal da Costa, corroboradas pelo enólogo Nelson Rolo – revelou um vinho mais harmonizado e com grande potencial de envelhecimento, que será agora colocado à venda em garrafeiras e na restauração.
Esta não foi a primeira vez que se testou em Portugal o estágio de vinho em profundidade. A Adega de Foz Côa já o havia tentado, mas as águas do rio – que correm em declive, logo são mais agitadas, e cuja temperatura conhece oscilações significativas entre o inverno e o verão – não se revelaram as mais propícias. Também na região francesa de champagne foi feita uma experiência semelhante, mas Duarte Leal da Costa encontrou particular inspiração nos naufrágios e no facto de os vinhos recuperados se encontrarem em ótimas condições após anos no fundo do mar.
A inovação – sustenta o diretor-geral da Ervideira – é o elemento diferenciador da adega, que foi a primeira a introduzir a casta Touriga Nacional na região e a produzir espumante made in Alentejo, o Invisível, em 2009.

