Assim, escreve Jorge Veríssimo que:
“Afirmar que estamos a assistir a uma grande mutação no sector dos media é uma ‘verdade de La Palice’: é tão óbvia que se torna ridículo dizê-lo.
Arrisco-me, todavia, a confirmar que, no caso português, assistimos a outras alterações recentes que decorrem, não só da mudança de paradigma no acesso aos conteúdos, e/ou da crise financeira que nos tem assolado, mas também de uma previsível mudança de players neste mercado.
Se no mês passado observámos estupefactos o anúncio da aquisição da Media Capital pelo grupo Altice, esta semana ficámos bem apreensivos com a notícia de reestruturação do grupo Impresa, que implicará alienar e/ou encerrar alguns dos títulos, entre os quais a Visão.
Ora, estamos a falar dos dois maiores grupos de comunicação a atuar em Portugal: a Media Capital e a Impresa.
Se o primeiro caso consiste na aquisição de um grupo de comunicação (que inclui a produção de conteúdos audiovisuais e digitais) por uma empresa de telecomunicações, a Altice, também ela líder de mercado na sua área de atuação; no segundo, parece que estamos a presenciar o desmembramento de uma empresa histórica, de um grupo pioneiro, que criou e lançou um jornal, desde sempre de referência, o Expresso, e o primeiro canal de televisão privada em Portugal, a SIC.
Mas, o que estará aqui a acontecer? Infelizmente, parece-nos que a razão deste reposicionamento estratégico do grupo Impresa, que se irá fixar apenas ‘nas componentes do audiovisual e do digital’, como referiu Francisco Pedro Pinto Balsemão no comunicado enviado às redações, advém especificamente das dificuldades financeiras do Grupo.
Aliás, ainda não se percebeu muito bem o motivo da interrupção de uma emissão de dívida do Grupo!
Bom, uma coisa é certa. Ao alienar os títulos impressos, com exceção do Expresso, o Grupo Impresa ficará mais fraco, mas, ao mesmo tempo, mais “apetecível” para ser adquirido.
A ser assim, haverá outra OPA por parte de um outro grupo de telecomunicações?
Caso esta hipótese se torne real, teremos outra empresa de telecomunicações a atuar na área da comunicação social/produção de conteúdos e, particularmente, a disputar a liderança dos mercados do audiovisual e do digital.
Provavelmente, ficaremos com o mercado mais equilibrado nestas áreas!
E os títulos impressos? Haverá interessados? Quem os irá adquirir?”

“Haverá outra OPA por parte de um outro grupo de telecomunicações?”. A questão é do presidente da Escola Superior de Comunicação Social, Jorge Veríssimo, convidado pela Briefing a comentar o estado atual dos media nacionais, na sequência da notícia de que a Impresa se prepara para alienar as revistas do seu portefólio.