Coube a Paulo Russell-Pinto, do IVDP, dar conta de que está a ser feito um trabalho com chefs, escanções e sommeliers para retirar o vinho do Porto da proximidade do whisky e do conhaque, o mesmo é dizer, do final de uma refeição.
A seu ver, o simples facto de o corpo para o Porto ser colocado no final dos demais copos, numa mesa, é sinal da sua desvalorização. “É um vinho, não precisa de um copo especial”, comentou, acrescentando que “funciona muito bem à mesa”, dando que existem várias categorias. “A sua versatilidade combina com a criatividade dos chefs”, reforçou.
Neste jantar, o desafio lançado a Alexandre Silva foi provar isso mesmo. Com oito anos, o Loco “sempre foi reconhecido pela irreverência dos pratos”, com um menu que não é consensual, mas, antes, desenhado para ser divertido. “Para que os clientes pensem no que estão a comer e a beber. O Loco é um restaurante para pensar”, partilhou.

O desafio colocado ao chef foi, pois, trabalhar o desconforto que é casar vinhos do Porto com pratos improváveis.
E com o snack surgiu a primeira provocação: um Porto Vista Alegre Vintage 1997 para acompanhar um bao de amendoim e pimento assado e uma tartelete de couve roxa fermentada e noz.
Seguiu-se a entrada – couve flor, cebola e queijo de S. Jorge – e o momento do pão – de massa mãe. Aqui, a escolha recaiu sobre um Dry White da Niepoort.
Um Porto Quinta de Santa Eufémia 20 Anos chegou à mesa para harmonizar com os dois pratos principais, mostrando que casa bem com sabores distintos – o do polvo grelhado, bitter de laranja, alho negro e pudim de cenoura fermentado, e o da presa de porco com topinambur e endívia.
Já nas sobremesas, ambas afastadas do açúcar, serviu-se um Porto para cada uma: um Quinta da Vacaria 40 Anos, para provar com marmelo, lima kaffir e cardamomo, e um Quinta dos Poços LBV 2015, na companhia de alfarroba, presunto e sumac.
Antes do Loco, “As estrelas dos chefes” passaram pelo Kabuki, em Lisboa, e pelo Vila Foz, no Porto. Em comum – daí o nome da iniciativa do IVDP – a estrela Michelin. Para o ano, há mais.
Fátima de Sousa









