Enquanto Content & Social Media Supervisor, trabalho diariamente com marcas que sentem uma pressão constante: publicar mais, estar sempre presentes, não deixar passar nenhuma trend.
A ideia de que publicar mais é a única forma de crescer está tão normalizada que, muitas vezes, nem a questionamos. Mas será que esta estratégia traz verdadeiramente resultados com impacto?
Sempre nos disseram que a consistência nas redes sociais é sinónimo de relevância. Que publicar mais significa comunicar melhor. E, claro, se o algoritmo pede volume, então o volume passa pela estratégia.
É aqui que o problema começa: quando o algoritmo dita a estratégia e não o contrário. Quando os briefings são apressados e os pedidos chegam em cima da hora, o sucesso é medido por métricas que raramente refletem o impacto real de uma marca.
Num mundo de scroll constante e completamente saturado de estímulos, a pergunta já não devia ser quantas vezes aparecemos, mas se alguém repara em nós.
Quando uma marca me pergunta “isto funciona?”, a resposta costuma ser honesta: funciona para o algoritmo, não necessariamente para o posicionamento. E essa diferença sente-se.
Nunca se produziu tanto conteúdo e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil captar atenção verdadeira e construir marca. As trends tornaram-se o fast food dos conteúdos: rápidas, fáceis de consumir e esquecidas na semana seguinte.
Da urgência de aparecer e da obsessão por métricas nasce a ideia de que qualquer atenção é boa atenção. É assim que o rage bait se normaliza. Um pico momentâneo de engagement que não constrói confiança e raramente deixa marca. Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: “Teve imensos comentários maus, mas pelo menos gerou engagement. Os números foram bons, de certeza.”
Já estive em reuniões onde o sucesso de um conteúdo era medido apenas pelo alcance ou pelo número de views, mesmo quando não havia qualquer impacto real na perceção da marca.
Para mim, continua a não haver nada como uma mesa cheia de brainstormers, perguntas difíceis, ideias que ainda não estão prontas para publicar e conteúdos com emoção e storytelling. Sem pressa.
Marcas que entendem isto não competem por espaço no feed, mas sim por significado. Preferem menos publicações, até talvez menos engagement, mas com mensagens fortes, coerentes e alinhadas com os seus valores.
Beatriz Morais Freire, Content & Social Media Supervisor da milk&black

