IA e experiências estão a redefinir o mercado global do luxo

O mercado global do luxo atingiu o valor de 1,4 mil milhões de euros em 2025 e deverá manter-se estável em 2026, segundo o mais recente estudo da Bain & Company e da Altagamma. A Inteligência Artificial (IA), as experiências de luxo e a mudança nas expectativas dos consumidores surgem como os principais fatores de transformação do setor.

IA e experiências estão a redefinir o mercado global do luxo

Depois de vários anos marcados pela volatilidade económica e geopolítica, o mercado global do luxo entra numa fase de estabilização. Segundo o mais recente estudo da Bain & Company e da Altagamma, o setor atingiu o valor de 1,4 mil milhões de euros em 2025 e deverá manter-se estável ao longo de 2026, numa altura em que os motores de crescimento estão a mudar.

O estudo identifica quatro tendências que estão a redefinir o mercado: a consolidação do luxo experiencial, a mudança dos mercados geográficos, a evolução do conceito de luxo para os consumidores, e o impacto crescente da IA na descoberta e decisão de compra.

“O mercado do luxo está a estabilizar, mas isso não significa um regresso ao passado. Está a emergir um novo ciclo, em que os consumidores procuram significado, relevância e experiências, mais do que apenas produtos”, afirma a Senior Partner da Bain & Company, Cira Cuberes. “As marcas que liderarem esta transformação serão aquelas capazes de reinventar continuamente a sua proposta de valor, tanto para os consumidores como para os novos ecossistemas digitais impulsionados pela IA.”

Os Estados Unidos lideram atualmente o crescimento do setor, enquanto a recuperação na China continua gradual. Já a Europa permanece sob pressão devido à instabilidade geopolítica, embora os dados mais recentes apontem para uma recuperação da procura.

A IA assume um papel cada vez mais relevante na jornada de compra: cerca de metade dos consumidores já utiliza estas ferramentas, quer para descobrir marcas e produtos, quer para comparar opções antes da decisão final.

Ao mesmo tempo, as experiências continuam a ganhar terreno. A procura por experiências de luxo cresce 1,5 vezes mais depressa do que a dos bens tradicionais, impulsionando categorias como hotelaria, alta gastronomia e viagens. O estudo conclui ainda que o luxo é hoje cada vez mais associado à autenticidade, ao bem-estar e à realização pessoal, em detrimento do estatuto.

“Os consumidores continuam interessados no luxo, mas tornaram-se muito mais exigentes”, afirma Cira Cuberes. “Mais de 70 % dos clientes que abandonaram o setor do luxo pretendem regressar, mas não necessariamente às mesmas marcas. O desafio passa por voltar a conquistar relevância junto destes consumidores e também nos novos ecossistemas de IA, onde cada vez mais começam as decisões de compra.”

Carolina Neves

Segunda-feira, 06 Julho 2026 12:33


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