O retalho digital em Portugal vive um ponto de viragem histórico. Deixámos de falar da Inteligência Artificial apenas como um motor de recomendações para a encarar como um agente ativo de execução. O agentic commerce, onde assistentes digitais realizam transações de forma autónoma, já não é ficção científica: um estudo recente da Adyen revela que mais de 80 % das empresas de retalho nacionais estão recetivas a que a IA conclua compras de forma automatizada, com perto de 40 % a definirem esta tecnologia como prioridade estratégica para os próximos 12 meses.
No entanto, esta transição depara-se com um paradoxo no mercado. À medida que as ameaças de fraude baseadas em IA proliferam, a exigência por segurança dispara. Mas aqui reside a armadilha para os negócios: os sistemas tradicionais de verificação acrescentam fricção ao funil de vendas. Em Portugal, cerca de 23 % dos utilizadores admitem abandonar uma compra online se os controlos de segurança (como passwords ou códigos SMS) forem complexos ou falharem, e quase 30 % desistem se forem obrigados a criar uma conta antes do pagamento.
Como podem as marcas resolver este impasse? A resposta não está na complexidade do algoritmo da IA, mas sim na robustez da infraestrutura de tecnologia financeira subjacente. Para que as transações autónomas ganhem escala em segurança, as empresas precisam de implementar o que chamamos de Tradutor Universal: uma única camada capaz de interagir com todos os principais protocolos de agentic commerce, unificar canais, gerir dados de identidade com transparência e mitigar o risco de fraude avançada em tempo real de forma totalmente invisível.
Para preparar esse futuro do agentic commerce, mas também para se manterem relevantes num presente marcado pela pesquisa agentic, há um trabalho operacional a realizar antecipadamente. Para que um agente digital consiga concluir uma transação autónoma no futuro, as marcas têm de “limpar” e preparar os seus feeds de dados já hoje. Se as informações sobre os produtos não estiverem organizadas e forem ilegíveis para as máquinas, o sistema de processamento de pagamentos não terá nada para validar.
O sucesso na era do agentic commerce não será determinado por quem tem o assistente digital “mais conversacional”, mas sim por quem for facilmente localizável por um vasto leque de agentes, com quem estes possam interagir facilmente e que consiga garantir a infraestrutura mais segura e integrada. O futuro pertence às marcas que transformam a segurança invisível no argumento definitivo da conveniência do mercado.
Juan Jose Llorente, Country Manager para Portugal e Espanha da Adyen

