Enquanto a IA reativa responde a pedidos concretos, a IA agêntica atua em função de objetivos previamente definidos, sendo capaz de planear e executar tarefas, utilizar dados, interagir com plataformas e articular-se com outros agentes. A diferença ganha relevância para as marcas, já que estes sistemas poderão pesquisar, comparar e recomendar produtos ou serviços e, em alguns casos, decidir pelo consumidor.
Na perspetiva do diretor-geral da Centromarca, a Inteligência Artificial está a criar uma nova fronteira de concorrência Pedro Pimentel sublinha que já não basta às insígnias serem escolhidas pelos consumidores, precisam também de ser consideradas pelos sistemas que os aconselham
Já o Data & Cloud Consultant Lead da Incubeta Portugal destacou a mudança nos hábitos de pesquisa, com os consumidores a procurarem cada vez mais respostas imediatas através de motores de pesquisa e modelos de linguagem. Nesse seguimento, Nuno Basto acredita que Generative Engine Optimization (GEO) ganha espaço face ao Search Engine Optimization (SEO).
Para as marcas, passa a ser relevante perceber se são mencionadas pela IA, como são apresentadas, com que concorrentes são comparadas e quais as fontes utilizadas para sustentar as recomendações. A atualização de informação sobre produtos, preços e promoções assume, por isso, uma importância acrescida.
Entre os casos apresentados esteve o da Care to Beauty, retalhista online portuguesa de cosmética, que recorreu a IA no processo de expansão internacional. Segundo o fundador e proprietário, Bruno Gouveia, a tecnologia contribuiu para duplicar as vendas sem duplicar o número de colaboradores e permitiu desenvolver dez vezes mais software.
A adoção destes sistemas traz, contudo, novas exigências ao nível da confiança e da proteção do consumidor. A secretária-geral da Auto Regulação Publicitária, Madalena Bettencourt, defendeu a necessidade de transparência na utilização de agentes de IA e de responsabilização das empresas pelas suas ações. A informação, o treino, a monitorização e o aperfeiçoamento foram apontados como dimensões essenciais, a par da supervisão humana. Os sistemas deverão respeitar a legislação e os princípios éticos, funcionar dentro de limites definidos e não colocar os objetivos comerciais acima dos interesses do utilizador.
Simão Raposo

