A Geração Z entrou no mercado de trabalho com uma reputação interessante: somos impacientes, exigentes, queremos tudo depressa e fazemos demasiadas perguntas. Algumas acusações são discutíveis. A última, confesso, talvez seja verdade.
Perguntamos “porquê?”. Porque é que fazemos assim? Porque é que este processo tem sete passos? Porque é que preciso de aprovação para uma decisão que já sei tomar? E, às vezes, a resposta é: “porque sempre foi assim”.
Talvez uma das maiores contribuições da minha geração seja essa vontade de questionar o que pode ser feito de outra forma. Não para deitar fora tudo o que existia antes – há muito para aprender com quem tem mais experiência -, mas para perceber se conseguimos fazê-lo melhor ou com mais cabimento.
As nossas perguntas vêm também acompanhadas de uma característica associada à Geração Z: a vontade de mudar o mundo. Pode soar ambicioso, mas começa com ações muito básicas: questionar um processo, experimentar uma ferramenta nova ou sugerir outra forma de fazer.
Quando chegamos às empresas, levamos essa inquietação connosco. Procuramos respostas em segundos, adotamos novas ferramentas rapidamente e, claro, habituámo-nos a testar caminhos diferentes. Era inevitável que essa lógica chegasse também à forma como olhamos para as nossas carreiras.
Aos 26 anos, tenho tido a oportunidade de assumir responsabilidades e aprender com pessoas com muito mais experiência do que eu.
É aqui que entra a microgestão. Acompanhar, dar feedback e corrigir faz parte. Transformar cada tarefa numa sequência de aprovações já é outra coisa. Um bom líder pode ser um GPS quando é preciso encontrar o caminho. Mas, se estiver sempre a dizer “vire à direita” e “recalcular rota”, nunca aprendemos a conduzir sozinhos. Não precisamos que nos deixem, mas também não precisamos que façam o caminho por nós.
E querer esse espaço não significa querer saltar etapas. Segundo um estudo da Deloitte, apenas 25 % da Geração Z prefere uma progressão acelerada, embora 76% queira chegar a funções de liderança no futuro. Talvez não queiramos chegar mais depressa. Mas queremos perceber como chegamos, e aprender, claro, pelo caminho.
Muitas empresas já perceberam isso. Há jovens a assumir projetos, a trabalhar diretamente com clientes, a apresentar ideias e a participar em decisões.
E ainda bem.
Porque fazer perguntas não é achar que sabemos tudo. Muitas vezes é exatamente o contrário.
A Geração Z ainda tem muito para aprender. Só não quer aprender sempre da mesma maneira.
Mariana Falé, Lead Cliente da LPM Comunicação

