Antes de começar, os chefs apresentam-se. É também aí que o chef Ashik Yonjan, à frente da cozinha, deixa a primeira mensagem: “Boa comida é a nossa promessa, mas desfrutem do momento porque é isso que fica na memória”. E é difícil imaginar melhor introdução para um restaurante que não tem carta e onde o cliente entrega ao chef as decisões de cada serviço.
São quinze momentos, construídos diariamente em função da sazonalidade, da disponibilidade dos melhores ingredientes e da visão do chef. O peixe da costa portuguesa assume o protagonismo, acompanhado por ingredientes e cortes importados diretamente do Japão.
À frente desta proposta, integrada nas recomendações do Guia Michelin 2026, está o nepalês Ashik Yonjan, distinguido com a medalha de prata na Sushi Cup Portugal 2026 e certificado pela All Japan Sushi Association. Ao seu lado, estão o Sous chef Danilo Moreira e o chef de Partie Mateus Martins. Juntos, seguem a tradição do Edomae Sushi, técnica desenvolvida em Tóquio durante o período Edo, que recorre a métodos como a maturação, a cura em sal, as marinadas em vinagre e a utilização de kombu para realçar as características naturais do peixe.
A experiência pode ser acompanhada por uma harmonização de saké. A seleção é feita por um sommelier interno certificado pela Sake Sommelier Association, que escolhe diferentes estilos de saké premium para acompanhar a evolução do menu.
Com apenas dez lugares e dois serviços por noite, cada refeição ganha um carácter particularmente próximo. O cliente não está apenas a assistir à preparação do menu: acompanha o trabalho dos chefs, conhece as escolhas feitas para aquele serviço e participa num diálogo que se prolonga ao longo dos quinze momentos.
Carolina Neves





