A guerra trouxe consigo – ou agravou, no caso de efeitos já decorrentes da pandemia – a crise energética e a inflação. O aumento do preço dos combustíveis e, consequentemente, de muitos outros produtos levou a um aumento generalizado do custo de vida, bem sentido pelas famílias no seu dia a dia. Portugal não é exceção.
Um dos problemas estruturais do país é o crescimento anémico da sua economia nos últimos dez anos, associado à pobreza e à desigualdade.
De acordo com os dados revelados pela Pordata recentemente, há hoje cerca de 1,9 milhões de pessoas em situação de pobreza em Portugal. Sem as transferências sociais, este número seria bem superior: cerca de 4,4 milhões. Quase metade da população portuguesa.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos foi criada para fornecer aos portugueses factos rigorosos sobre a sua realidade, promover o debate e, com isso, a melhoria das condições de vida. Neste contexto, têm sido divulgados estudos e retratos sobre a situação da economia e da sociedade portuguesa, que revelam a realidade que acabo de descrever.
Mas estes estudos, sobretudo aqueles com uma dimensão prospetiva, também mostram que só se corrige a pobreza e a desigualdade com crescimento económico. Não é possível distribuir uma riqueza que não existe. Por isso, é essencial promover o desenvolvimento económico e a criação de riqueza para, depois, a distribuir por quem mais precisa.
Neste sentido, é indispensável olhar para a estrutura da economia portuguesa, e das suas empresas, e corrigir os aspetos negativos que têm condicionado o seu desenvolvimento. É importante garantir que o Estado é um promotor de desenvolvimento económico e não um motivo de atraso e de criação de burocracias estéreis e inúteis. Numa palavra, cuidar do crescimento económico é também cuidar da qualidade da nossa democracia. Finalmente, é importante cuidar dos mais fracos e desprotegidos, garantindo a igualdade de oportunidades a todos, promovendo uma sociedade mais justa e, por isso, mais próspera.
São estes os grandes desafios do nosso futuro coletivo que terão de ser enfrentados já em 2023. A crise traz também oportunidade e não a podemos perder se quisermos ter um país melhor para todos.


