O gesto de folhear está em vias de extinção. No lugar das páginas impressas, surgem feeds infinitos, reels, tweets e posts que prometem informação instantânea. Para quem nasceu entre o digital e o imediatismo, o consumo de conteúdo é mais reflexo do que ritual.
Não se trata de falta de interesse pela leitura, mas de um novo ritmo. “Gostamos de ler, sim, mas à velocidade de um reel”, dizem muitos jovens.
A informação precisa de ser curta, visual, gratuita e adaptável ao ecrã do telemóvel. É assim que o digital conquistou a confiança de uma geração que quer tudo e agora.
O problema? O controlo é uma ilusão. Os algoritmos decidem o que vemos, a desinformação circula com velocidade de fibra ótica e a profundidade cede espaço ao imediatismo. Ainda assim, é no digital que esta geração se sente representada. O papel, por outro lado, perdeu o código e a linguagem.
As marcas já entenderam isso. Para se manterem relevantes, deixaram de falar de cima para baixo e passaram a conversar. Apostam em narrativas rápidas, visuais e com propósito onde a autenticidade vale mais do que a perfeição. É aí que a atenção da Geração Z se fixa, em quem fala a sua língua e partilha o seu ritmo.
Mas e se o impresso fizesse um refresh? Se voltasse a falar a língua da Geração Z com menos formalidade, mais autenticidade e uma estética capaz de competir com o brilho dos ecrãs, talvez pudesse reconquistar espaço. Revistas que combinem o toque do papel com a irreverência das redes podem voltar a ser relevantes num universo dominado pelo digital.
“CTRL Z” simboliza o desejo de recomeçar. Talvez seja isso que o mercado editorial precise, recuar o suficiente para relembrar o prazer de ler sem pressa, recuperar a curiosidade que se perdeu entre notificações e reprogramar o futuro da leitura antes que a próxima atualização apague a ideia.
Hugo Noronha, aluno do curso Apresentador de TV e Rádio na World Academy

