A opinião de… Maria Amélia Teixeira, do Eupago Hub

A inteligência artificial já faz parte do dia a dia do marketing digital e, no setor fintech, tem vindo a transformar a forma como se analisam dados, se otimizam campanhas e se criam experiências mais relevantes. Com base na sua experiência no Eupago Hub, Maria Amélia Teixeira, que será oradora na SEO Conference 2026, reflete sobre o equilíbrio necessário entre eficiência e pensamento crítico, defendendo que a tecnologia deve potenciar – e não substituir – o talento humano.

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante para passar a ser uma ferramenta presente no dia a dia de quem trabalha em marketing digital. Em particular no universo fintech, onde a velocidade, a personalização e a eficiência são determinantes, a IA representa simultaneamente uma oportunidade extraordinária e um desafio que não pode ser ignorado.

Ao longo do meu percurso no grupo Eupago Hub, tive a oportunidade de acompanhar de perto a evolução do marketing digital: passámos de uma lógica mais operacional para uma realidade profundamente orientada por dados, automação e tecnologia. A IA surge agora como mais uma camada dessa evolução, permitindo-nos analisar volumes de informação que antes seriam impossíveis de tratar, antecipar comportamentos e criar experiências mais relevantes para os utilizadores.

Do ponto de vista prático, a IA tem vindo a tornar muitos processos mais rápidos e eficientes. A capacidade de gerar insights, otimizar campanhas e apoiar na produção de conteúdos permite às equipas libertar tempo para tarefas mais estratégicas. Num setor como o fintech, onde a capacidade de adaptação é crítica, esta agilidade pode representar uma vantagem competitiva clara.

No entanto, seria ingénuo olhar para a IA apenas como uma solução mágica. Tal como aconteceu com outras tecnologias no passado, existe também um risco real de uniformização. Se todos utilizarmos as mesmas ferramentas, treinadas com os mesmos dados e com as mesmas lógicas, corremos o risco de produzir conteúdos semelhantes, campanhas previsíveis e estratégias pouco diferenciadoras.

Outro desafio relevante prende-se com o pensamento crítico. A facilidade com que hoje se geram textos, ideias ou análises pode levar a uma certa acomodação. A IA pode sugerir caminhos, mas não substitui o contexto, a experiência de mercado ou a compreensão profunda dos problemas que queremos resolver. No marketing digital, fazer as perguntas certas continua a ser tão importante como encontrar respostas rápidas.

Por isso, acredito que a verdadeira questão não é se a IA vai substituir pessoas, mas sim como vamos e devemos aprender a trabalhar com ela. As equipas que conseguirem integrar estas ferramentas sem abdicar do pensamento estratégico, da criatividade e do conhecimento do negócio, serão as que vão criar maior valor.

No fundo, a IA não elimina a necessidade de talento humano. Pelo contrário, torna ainda mais importante a capacidade de interpretar, decidir e transformar tecnologia em impacto real. E, no marketing digital, esse continuará a ser o verdadeiro fator diferenciador.

Maria Amélia Teixeira, Digital Marketing do Eupago Hub

Terça-feira, 24 Março 2026 12:45


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