Nas últimas décadas, o mundo do trabalho tem acelerado a sua velocidade, conduzindo a uma drástica mudança. A guerra de talento que se vive hoje nas empresas é bem prova disso e o complexo mercado de trabalho traz desafios tanto para empresas como para colaboradores.
Nos últimos três anos, movimentos como o quiet quitting ou o big resignation são apenas demonstrativos da disrupção que a gestão das pessoas nas organizações atravessa e como nunca foi tão grande a necessidade de mudar a forma de gerir as empresas e de pôr a tónica nas pessoas.
Os novos formatos de trabalho, híbridos ou completamente remotos trazem a tão agradecida flexibilidade e autonomia pedida pelos colaboradores, mas também a diminuição de laços entre equipas e baixa identificação com a empresa, causando impacto no engagement, turn-over, bem-estar e produtividade.
Olhando prospetivamente para a questão dos modelos de trabalho híbridos ou full remote, percebe-se que é inevitável o afastamento entre as pessoas e empresas. As equipas estão menos tempo em contato físico, partilham menos experiências, estabelecem menos laços entre elas, tendem a isolar-se mais e vestem menos a camisola da empresa. O que pode e será problemático! Então levanta-se uma questão: Como é que as empresas irão lidar com este crescente afastamento e continuar a assistir à descida dos níveis de engagement, com os custos que isso acarreta?!
Não me parece que exista um turning back e que a solução seja voltarmos todos a 100% fisicamente para o local de trabalho. As pessoas percebem que existem várias vantagens nestas inovadoras formas de trabalho, incluindo um maior equilíbrio entre trabalho e vida familiar e não querem abrir mão desses novos pressupostos que aos seus olhos permitem uma vida mais completa.
A solução não é única, nem fácil, mas parece-me que passará por criar um ambiente de trabalho que estimule a inovação, a criatividade e o trabalho em equipa. O que inclui a criação de espaços de trabalho colaborativos e de atividades de lazer. Passará, também, pela criação de experiências que desenvolvam laços emocionais e afetivos entre as pessoas, sendo que as empresas terão de criar mais momentos de interação com significado para as suas equipas, dentro ou fora do escritório e que contribuam para um maior bem-estar.
Ao investir em práticas de bem-estar e criar experiências incríveis para os colaboradores, as empresas podem obter benefícios com bastante retorno. Colaboradores satisfeitos e comprometidos tendem a ser mais produtivos, criativos e inovadores. Além disso, são mais propensos a permanecer por mais tempo.
As empresas também podem colher frutos, na melhoria dos resultados, na satisfação dos clientes e causar um impacto positivo na sociedade como um todo. O que também traz o tema à luz da sustentabilidade das empresas e das pessoas.
É fundamental investir nas pessoas para o sucesso a longo prazo das empresas.
Tiago Santos, CEO da Workwell e organizador dos Wellbeing Games

