No evento de apresentação à imprensa da “nova vida” da Motorola em Portugal, a 10 de dezembro, o diretor-geral para a região EMEA, Fábio Capocchi, apresentou alguns dos objetivos da marca cuja história tem sido “composta por altos e baixos”. Um dos capítulos mais recentes foi a sua compra pela Lenovo, em 2014. De acordo com o responsável, a meta é que, em três anos, o volume de negócio duplique, sendo que, na América Latina, a insígnia representa cerca de 70 % do mercado. Para que seja possível atingir a liderança, a filosofia assenta em três fundamentos: inovar para melhorar a experiência do consumidor; posicionar-se como uma marca tecnológica de lifestyle; e criar um ecossistema coeso.
Parcerias
Uma das estratégias adotadas para aumentar a sua notoriedade passa pelo estabelecimento de parcerias com empresas de setores distintos, nomeadamente: a Bose, a FIFA, a Fórmula 1, o Dolby Atmos, a Euroleague Basketball, a Corning e a Firmenich.
Entre as parceiras, destaca-se a Pantone, tratando-se de uma colaboração exclusiva, que pode ser vista nos telemóveis. A novidade é a Mocha Mousse, eleita a cor do ano 2025, e que vai estar presente em alguns dispositivos e nos materiais de comunicação.
Em entrevista à Briefing, a Head of Marketing, Daniela Idi, considerou que esta é uma parceria importante, porque “está a definir a evolução do design” que a Motorola quer ter em todo o portefólio. Além disso, acredita que “é uma forma de posicionar a marca junto a um público que não pensa nela, mas que pode passar a ficar interessado no seu percurso”.
Estas sinergias não têm apenas uma vertente comercial e um dos exemplos é o “Bouncing for Good”, no qual a empresa doa equipamento informático a escolas com jovens necessitados, “para os ajudar no seu percurso, na sua possível educação e na sua transformação”.
Produtos
No que diz respeito à oferta no mercado, a Motorola pretende manter o seu “ADN inovador”, lembrando que foi a primeira a lançar um telemóvel dobrável, em 2004. Contudo, tendo em conta as inovações tecnológicas, a oferta atual já não é comparável, mas é feita uma homenagem com a manutenção do nome Razr, que agora é um smartphone. Outra das opções disponíveis são o ThinkPhone, criado para responder às necessidades empresariais; as séries Moto G e Moto E.
De acordo com o EMEA Product Operations Director, Alexandre Caldeira, a intenção é “criar telefones que deem prazer de usar”, existindo a preocupação em manter a qualidade mesmo nas gamas mais baratas, de forma a chegar a todos os públicos. Além dos telemóveis, este regresso ao País vem acompanhado pelos novos auriculares sem fios Moto Buds. Com esta oferta, a marca tem a intenção de criar um ecossistema coeso, um dos fundamentos referidos anteriormente.
Ademais, quem adquirir o Razr 50 Ultra, o Razr 50 ou o Edge 50 Ultra poderá fazer parte do programa de testes da moto ai, para experimentar as potencialidades da inteligência artificial em contexto real e enviar os seus comentários de forma a melhorar este serviço.
Mercado português
A General Manager da MBG Iberia afirma que a presença da Motorola em Portugal sofreu uma “transformação significativa”, em comparação com a última vez em que esteve no mercado nacional. Entre as diferenças, Andrea Monleón releva o facto de haver uma equipa local de vendas e marketing dedicada no País, orientada para a criação de relações mais próximas com os consumidores e os principais parceiros retalhistas.
A experiência na loja também está a ser melhorada com espaços dedicados onde os clientes podem não só experimentar os produtos, mas também receber orientação personalizada de especialistas. A profissional diz ainda que a decisão de vir para Portugal “surge num momento oportuno”, impulsionada pelo “forte desempenho” – refletido no crescimento anual de 30 % do Lenovo IDG – e pela crescente procura de smartphones premium na região. “Vemos um grande potencial e estamos entusiasmados por trazer os nossos produtos e soluções inovadoras para este mercado”, acrescenta.
Na perspetiva de Daniela Idi, este é “um marco importante” na evolução da empresa e é uma confirmação da estratégia local para criar uma marca global. A diretora diz que é importante assegurar que isto aconteça, mas também que seja feito um reforço na relevância da marca e, na sua opinião, o que deve ser feito é “apoiar os países importantes e fazer parte do que deve fazer parte desta viagem”.
Entre o trabalho que está a ser desenvolvido, está a criação de uma “experiência consistente” em todos os canais porque, na opinião da Head of Marketing, este é um fator essencial para que a marca seja considerada de “qualidade superior”, considerando que “isto não se baseia apenas numa questão de preço”. Para tal, o caminho passa por ter a certeza de que todos os pontos de contacto estão ligados, desde as redes sociais ao online e à loja. “Toda a experiência deve ser apenas Motorola”, conclui.
Simão Raposo


