Talvez a presença massiva de adolescentes nos tenha transformado, a nós, menos jovens, em adolescentes tardios que vão para a rede contar o que estão a fazer e como o fazem, mostrar fotografias de tudo, ou de nada, e dissertar sobre relações. De todo o tipo.
Sim, a minha opinião sobre o Facebook – o conteúdo que por lá prolifera – não é a mais positiva. Equivale a uma novela da vida real em formato multimédia. Obriga a perder tempo para separar o trigo do joio (a web também é um pouco assim, certo?) e o que é verdadeiramente interessante é proveniente de outras fontes: sites de media, blogues e outros sites de redes sociais. Então, para quê usar o Facebook? Para dar os parabéns aos amigos, fazer parte de conversas que acontecem aqui e poderiam muito bem ter acontecido à mesa de um café, vender, comprar ou trocar? Pode ser uma fonte agregadora de vários elementos que antes estavam dispersos na web. E pessoas que antes também se dispersavam. O que é válido tanto para adolescentes como para os seus pais. Não sei se os adolescentes já abandonaram o Facebook. Poderá ser uma tendência, muito por força de outras propostas que apareceram, perfeitamente adaptadas ao ambiente mobile e que rapidamente captaram a atenção dos mais jovens. Algumas, pela sua simplicidade causam estranheza nos menos jovens. Os pais não entendem. Os adolescentes agradecem.
Por outro lado, o Facebook só faz sentido com uma rede. De amigos. De conhecidos, mais ou menos. De gente que só se conhece do Facebook faz menos sentido. Não se vai além do like tímido. Porque não se conhece a pessoa. Pode ser um local de engate, como tantos outros sites sociais que existem. Mas não é essa a sua génese. E, por isso, nem sempre funciona assim. Comentamos os posts dos amigos que conhecemos da vida real com maior facilidade do que os posts de quem não conhecemos. A não ser que seja um post de uma marca ou organização (de qualquer tipo). Porque tudo o que se escreve no Facebook está sujeito a escrutínio. Muitas vezes a discussão. Nem sempre corre bem. As pessoas retraem-se. Limitam-se aos seus amigos. Da vida real. Ou aos conhecidos que são amigos dos amigos da vida real. Desta forma, o Facebook deixa de ser uma rede. Passa a ser uma plataforma para comunicarmos virtualmente, num contexto moderno em que não nos é permitido (ou não queremos que seja) partilhar a vida quotidiana… no quotidiano. Não faz, portanto, sentido para um adolescente o Facebook. Porque tem o What’sapp. O Instagram. O Snapchat. O Vine. O Kik. O Ask.fm…
O melhor de tudo? Não tem a mamã a fazer comentários embaraçosos no mural.
Todos sabemos que, nos sweet sixteen, não existem mães cool…

Consta por aí que os jovens estão a abandonar o Facebook (ou já abandonaram) porque os seus pais estão nesta rede social online. Diz-se que, para os jovens, está “morto e enterrado”. O que me parece estranho, pelo conteúdo pueril desta rede.