56,3% do crédito à habitação e 51,3% do crédito ao consumo já são contratados com intervenção de intermediários. A e-loan analisa o que mudou no setor.
Mais de metade dos novos contratos de crédito à habitação em Portugal: 56,3 % e, 51,3 % do crédito aos consumidores são hoje celebrados com a intervenção de um intermediário de crédito, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal em 2026. Há uma década, a figura era praticamente desconhecida do grande público; hoje, é o canal maioritário de acesso ao crédito no país. Poucos setores da economia portuguesa mudaram tanto, tão depressa e com tão pouca atenção mediática proporcional ao seu peso.
Um setor que sextuplicou a sua relevância em menos de dez anos
O regime jurídico dos intermediários de crédito só existe desde 2017 (Decreto-Lei n.º 81-C/2017), quando Portugal transpôs a diretiva europeia do crédito hipotecário e passou a exigir autorização e registo junto do Banco de Portugal. Desde então, o crescimento foi contínuo: no final de 2025, o número de intermediários registados atingiu os 6.216, mais 5,5% do que no ano anterior, e o regulador continua a receber milhares de novos pedidos de autorização.
Os números explicam-se por uma mudança estrutural no comportamento do consumidor financeiro. A comparação de propostas, que antes exigia visitas a vários balcões, passou a ser um serviço: o intermediário de crédito, como a e-loan, recolhe a documentação uma vez, apresenta o processo a várias instituições em simultâneo e negoceia condições em nome do cliente. No modelo de intermediação vinculada, o serviço é gratuito para o consumidor, sendo a remuneração paga pelas instituições financeiras.
O escrutínio do regulador é o melhor teste ao setor
O crescimento acelerado trouxe, inevitavelmente, atenção regulatória. O Banco de Portugal realiza cerca de 400 inspeções anuais a intermediários de crédito e propôs ao Governo a revisão do regime jurídico do setor, com dois objetivos declarados: simplificar o quadro legal e reforçar a transparência. O governador defendeu no Parlamento que os intermediários devem “transmitir uma comparação efetiva”, apresentando aos consumidores um leque representativo de soluções e não apenas as propostas que mais convêm ao operador.
Para quem trabalha no setor, esta pressão regulatória não é uma ameaça: é uma limpeza necessária. Num mercado com mais de 6.000 operadores, a barreira à entrada é baixa e a qualidade é desigual. A revisão do regime tenderá a separar os intermediários que fazem intermediação, daqueles que apenas encaminham clientes para o banco que melhor os remunera.
Da comparação ao aconselhamento: O que o consumidor passou a exigir
A digitalização baixou o custo de aceder a informação: simuladores, comparadores e taxas estão a poucos cliques, mas não baixou o custo de a interpretar. Segundo o inquérito OCDE/INFE de 2023, promovido pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, apenas cerca de 48% dos portugueses atingem o nível de conhecimentos financeiros considerado básico. O consumidor médio consegue encontrar várias propostas de crédito; tem muito mais dificuldade em perceber qual delas se ajusta à sua taxa de esforço, à estabilidade do seu rendimento e aos seus planos a cinco anos.
É essa a mudança de fundo no papel do intermediário: o valor deixou de estar no acesso às propostas e passou para a interpretação. Ou seja, traduzir a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG), o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC) e as restantes condições contratuais em consequências concretas para o orçamento de cada família.
Na prática, esta realidade é particularmente evidente no crédito pessoal e no crédito consolidado. No crédito pessoal, a diferença de taxas entre instituições pode atingir vários pontos percentuais para um mesmo perfil de cliente. Já no crédito consolidado, a correta interpretação das condições é determinante para avaliar se a operação reduz efetivamente o esforço financeiro mensal do agregado familiar ou se apenas prolonga o prazo de pagamento sem uma redução significativa do custo total do crédito.
A tecnologia acelera o processo, mas a decisão continua a precisar de contexto humano.
O que isto significa para as marcas financeiras
Para quem trabalha em marketing de serviços financeiros, o dado dos 56,3% tem uma leitura direta: o intermediário tornou-se um canal de distribuição incontornável e, cada vez mais, um media próprio. Os intermediários com maior investimento em conteúdo, literacia financeira e presença digital estão a capturar a procura quando ela se forma, muito antes do balcão. A confiança, num setor sob escrutínio, constrói-se com o mesmo material de sempre: transparência sobre a remuneração, registo público verificável no Banco de Portugal e comunicação que informa antes de vender.
É nessa lógica que a e-loan tem investido: com foco particular em crédito pessoal e crédito consolidado, mantém um programa de conteúdos de literacia financeira e simuladores de acesso gratuito, partindo do princípio de que um consumidor mais informado toma melhores decisões e escolhe melhor com quem as toma.
Perguntas frequentes (FAQ)
Que percentagem do crédito em Portugal passa por intermediários?
Segundo o Banco de Portugal, mais de metade dos novos contratos: 56,3% do crédito à habitação e 51,3% do crédito aos consumidores são celebrados com intervenção de intermediários de crédito (dados divulgados em 2026).
Quantos intermediários de crédito existem em Portugal?
No final de 2025 estavam registados 6.216 intermediários de crédito junto do Banco de Portugal, um crescimento de 5,5% face ao ano anterior. A atividade é regulada pelo Decreto-Lei n.º 81-C/2017 e sujeita a autorização e supervisão do Banco de Portugal.
Um intermediário de crédito tem custos para o cliente?
No modelo de intermediação vinculada, o da e-loan, registada no Banco de Portugal com o n.º 0001398, o serviço é gratuito para o consumidor: a remuneração é paga pelas instituições financeiras com quem o intermediário tem contrato de vinculação.
Como verificar se um intermediário é autorizado?
Consultando a lista pública de intermediários de crédito no site do Banco de Portugal, que identifica o número de registo, a categoria de atividade e as instituições com quem cada operador trabalha.
O que distingue um bom intermediário de crédito?
A capacidade de apresentar um leque representativo de propostas de várias instituições, a transparência sobre o modelo de remuneração e o acompanhamento na interpretação dos indicadores-chave de cada proposta, como a TAEG e o MTIC.
Um intermediário de crédito também ajuda em crédito pessoal e crédito consolidado?
Sim. Além do crédito à habitação, os intermediários de crédito atuam também no crédito pessoal e no crédito consolidado, este último particularmente relevante para famílias com vários créditos em simultâneo, já que permite reunificar dívidas dispersas numa única prestação, com um único credor e, idealmente, uma taxa mais baixa.

