Isto, que é válido para qualquer situação, mais premente se torna quando falamos de algo cujos benefícios não são visíveis no curto prazo, como a maior das acções que dizem respeito à sustentabilidade.
O caso recente da Unilever parece-me um bom exemplo de como, a partir do envolvimento e exemplo, é por vezes mais eficaz pôr em marcha um movimento de comunicação, do que recorrendo a tácticas mais tradicionais, de cariz mais unidirecional. A Unilever tem em marcha desde 2010 um ambicioso programa de sustentabilidade, o USLP – Unilever Sustainable Living Plan, assente na convicção de que é possível fazermos crescer o nosso negócio aplicando uma rigorosa política de sustentabilidade.
Nesse ano de 2010, definimos como objectivo para 2020 duplicar globalmente os nossos negócios, ao mesmo tempo que traçámos um roteiro segundo o qual queremos ajudar, através da nossa actuação e das nossas marcas, mil milhões de pessoas a melhorar as suas condições de vida, reduzir para metade a pegada ambiental dos nossos produtos e fazer com que as matérias-primas agrícolas com que trabalhamos sejam de origem 100% sustentável.
A enorme quantidade de produtos Unilever que são utilizados diariamente em todo o mundo permitem que, se cada um deles produzir um pequeno efeito – através da sua própria composição ou das melhorias que introduzem na vida das pessoas ou ainda da poupança que sugerem – no seu somatório a diferença será gigantesca.
Com este capital informativo, mas sabendo que o ‘call to action’ tem nesta área algumas dificuldades, decidimos transformar os nossos colaboradores em agentes de comunicação, através do exemplo. Assim, em Portugal, a Unilever Jerónimo Martins tem neste momento em prática um programa de comunicação interna, no qual todos os seus colaboradores são informados e envolvidos nos desafios da sustentabilidade defendidos pela empresa.
No pilar ambiental, por exemplo, há gestos simples que podem fazer – e fizeram – toda a diferença: distribuição de ecopontos para separar resíduos, redutores de caudal de água e temporizadores para os duches e a sugestão de outras formas de poupar água, como a utilização de marcas de detergente que produzimos e que são concebidas exactamente para esse fim, até a iniciativas ainda mais simples, como substituir, nos locais de trabalho, os copos de plástico para beber chá ou café por canecas de cerâmica, ou eliminar as toalhas de papel nos WC, substituindo-as por secadores de mãos.
Isoladamente parecem pequenos gestos. E são mesmo. Mas em conjunto fazem uma enorme diferença. E, sobretudo, são práticas que sabemos que cada um de nós vai transportar para fora da empresa, para os seus círculos privados de relações, onde vão produzir um efeito multiplicador. O que queremos é que cada colaborador informado da Unilever Jerónimo Martins seja um agente de informação e transformação para o exterior. Um exemplo, portanto.
Parece uma grande responsabilidade, mas a Unilever, como grande empresa internacional, tem também de assumir esta grande responsabilidade de ser um exemplo para muitas outras pessoas e organizações.
*Artigo escrito segundo o anterior acordo ortográfico.

A melhor forma de sugerir uma alteração de comportamento, quando acreditamos nos benefícios dessa alteração, é dar o exemplo.