É incrível, como um relance para uns simples par de sapatos me levam para uma realidade paralela à que vivo, desejando ter o que o que não posso possuir.
Ao ler as primeiras folhas de uma revista feminina, reparo na multiplicidade de marcas que atinge os leitores e que o cérebro de cada um interioriza e selecciona à medida que percorrem apenas uma página. Se nos meus tempos de criança, as minhas ambições se moldavam pela imagem cândida da Branca de Neve, actualmente são pessoas reais que acabam por definir os meus gostos, orientações e no final as minhas escolhas.
Vejamos o caso de Paris Hilton. As revistas dedicam-lhe páginas inteiras. Questiono-me sobre o que fez esta mulher para ter uma projecção tão grande nos media. Mas observando atentamente tudo o que a rodeia, vejo como ela é o reflexo de quem vive os contos de fadas modernos. Veste o que as mulheres desejam, está presente nas festas onde todos querem estar e transforma os seus escândalos em acontecimentos imperdíveis.
São histórias como esta que me fazem constatar que, mais do que a força de um determinado produto, as pessoas são principal o veículo de promoção e activação do mesmo. E são estas que conseguem inequivocamente aumentar o interesse em experimentar e o desejo em adquirir produtos, mesmo que inalcançáveis, dos públicos-alvo das marcas.
Numa época em que a tecnologia impera e os meios humanos parecem ser cada vez mais dispensáveis, eis que, há uma reviravolta e as pessoas, tornam-se imprescindíveis, ficando com o papel principal da venda e promoção de qualquer produto ou serviço.
E, no final, a imagem que os clientes das marcas ambicionam alcançar, é apenas ser um espelho de outras pessoas, às quais desejam ser semelhantes, criando as suas histórias do era uma vez…
Margarida Cáceres – Events & Sponsorship da Deloitte

