Conheceram-se através do Instagram e é através dessa rede social que partilham as suas viagens. Raquel e Miguel, os Explorerssaurus, acreditam que todas as pessoas são, à sua maneira, influenciadores. E qual a origem do nome pelo qual são conhecidos? Envolve uma viagem, claro!
Ser influenciador é…
Chegar aos outros. Por exemplo, dar dicas e conselhos de produtos e serviços que gostamos às pessoas que nos rodeiam. Ou seja, todos nós somos influenciadores. Todos já demos uma recomendação de um restaurante a um amigo ou uma peça de roupa a um familiar. Alguns de nós fazem este tipo de recomendações com mais frequência, mais consistência, o que nos leva a ter uma maior audiência.
Porquê Explorerssaurus?
O nome surgiu na primeira viagem que fizemos enquanto casal, antes de termos uma conta de Instagram. Fomos a Bali e visitamos uma ilha que se chama Nusa Penida, que tem uma praia super conhecida por ter uma formação rochosa em forma de dinossauro: Kelingking Beach. O acesso ainda é bem complicado, mas, em 2017, era mais agreste. Era quase descer um precipício, e, quando descemos, 40 minutos depois, para chegar a essa praia, o Miguel disse: “Finalmente, senti-me um explorador”. Isto porque o Miguel já tinha feito algumas viagens, mas em regime resort, e eu tirei-o da sua zona de conforto. Então, juntamos a palavra explorador e a formação rochosa dessa praia, em forma de dinossauro: “Explorerssaurus”.
O que motiva a associação a uma marca?
É o mesmo que motiva a associação a um influenciador: tem de haver um “match” quase perfeito em termos de valores, de formas de comunicar e da audiência. Temos de perceber se os produtos da marca que vamos comunicar seriam do interesse do nosso público ou não, porque, quando fazemos uma parceria, o objetivo é sempre que ambas as partes ganhem algo. Pode ser notoriedade, seguidores, leads, mais vendas… É quase como começar uma relação com uma pessoa, temos de sentir que é a pessoa certa.
O que mais valorizam numa marca?
É sentir que confia em nós, no nosso trabalho e nos dá total liberdade criativa para produzir os conteúdos que achamos que mais vão beneficiar a nossa audiência e a marca. Não gostamos quando sentimos que a marca tenta intervir muito na parte criativa. Os produtores de conteúdo também não dizem a uma marca qual a melhor estratégia para desenvolverem um produto, que matérias-primas usar, por exemplo. Este é o nosso core business, somos nós quem melhor conhece a nossa audiência. É o nosso trabalho a full time.
Qual o impacto de serem influenciadores nas vossas marcas?
Ajuda-nos imenso a estabelecer e a crescer as nossas próprias marcas, porque chegamos a milhares ou até mesmo milhões de pessoas, de forma orgânica. Não só nos leva a um crescimento muito mais rápido, como permite um investimento muito mais baixo do que se tivéssemos ido por uma via mais tradicional, porque não precisamos de investir tanto em tráfego pago. E, depois, estas pessoas são a nossa comunidade. A confiança que a nossa comunidade tem em relação ao nosso trabalho ajuda imenso, não só a crescer como a sermos uma marca querida.
A que atribuem o vosso sucesso como influenciadores?
Há vários fatores. O primeiro, sem dúvida alguma, foi a coragem de tentarmos algo diferente, sair da nossa zona de conforto. Depois, a consistência e o empenho que aplicamos em tudo o que fazemos. E o terceiro fator, muito importante, é a proximidade com a nossa audiência: estamos sempre lá para eles, respondemos a praticamente todas as mensagens – dentro do que é humanamente possível, claro. Enviamos muitas mensagens de voz aos nossos seguidores. Trocamos de números com alguns deles. Tudo isto teve influência.
A viagem mais memorável?
Não é um destino paradisíaco, nem uma grande aventura que fizemos juntos. Na verdade, foi uma road trip que fizemos com a nossa cadela Mira. Foi memorável, porque foi a primeira viagem em família.
O destino que mais surpreendeu?
Bali, porque foi o primeiro destino que visitamos juntos. Entretanto, a ilha tornou-se mesmo a nossa casa. Não só nos apaixonamos pelo povo, como a comida é ótima e a qualidade muito elevada. Face a Portugal, é tudo efetivamente muito mais barato. E depois, claro, tem mesmo paisagens muito variadas, desde vulcões, a praias, florestas, cascatas. Foi também por isso que decidimos investir e construir um boutique hotel, juntamente com os nossos sócios, e agora passamos o nosso tempo entre Portugal e Indonésia.
Sofia Dutra


