“Pode-se afirmar que a Gen Z está redefinindo o conceito de criador de conteúdo”

Por ser uma geração nativa digital e valorizar a autenticidade e transparência, a geração Z está a redefinir o conceito de criador de conteúdo. A afirmação é da brasileira Mari Galindo, fundadora da plataforma dedicada a esta geração Nice House, em entrevista à Briefing a propósito da sua curadoria e presença no evento CRE8TRS, em Lisboa.

"Pode-se afirmar que a Gen Z está redefinindo o conceito de criador de conteúdo"

Briefing | Quais são as tendências de comportamento e valores que marcam a geração Z, tendo em conta que em cada geração há uma discrepância de mais de uma década entre as pessoas que se inserem em cada uma delas?

Mari Galindo | Podemos considerar que as principais tendências de comportamento da Geração Z incluem a intersecção entre a tecnologia e as interações sociais. Por conta do grande acesso a informação através da internet e dos smartphones, valores como a autenticidade encontrada na mistura de referências, a busca e preocupação com questões de saúde mental, a importância sobre questões climáticas, o pragmatismo para analisar a vida financeira e a revisão do equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho são os traços de comportamento mais presentes em membros da geração Z no geral.

Qual é o papel dos criadores de conteúdo na economia atual?

Os criadores de conteúdo desempenham um papel crucial na economia atual, atuam como influenciadores nas decisões de consumo e também de tendências culturais e comportamentais. Eles geram valor através da produção de conteúdo original nas plataformas digitais, atraindo audiências engajadas e diversificadas, com alto nível de capilaridade através dos diferentes nichos de conteúdo. O impacto é evidente no marketing de influência, onde marcas trabalham junto com criadores para alcançarem públicos-alvo de maneira mais autêntica e personalizada.

Além disso, os criadores de conteúdo impulsionam o comércio digital ao promover produtos e serviços, facilitando as transações online. Também contribuem para a economia do conhecimento, compartilhando expertise e informações educativas. Ou seja, os criadores impactam tanto na construção de comportamento, quanto na conversão de vendas que gera engajamento e crescimento económico.

Pode-se dizer que a Gen Z está a redefinir o conceito de criador de conteúdo?

Sim, pode-se afirmar que a Gen Z está redefinindo o conceito de criador de conteúdo. Por ser uma geração nativa digital, cresceu com fácil acesso à internet e a diversas plataformas de media social, o que democratizou a criação e publicação de conteúdo. É uma geração que valoriza a autenticidade e transparência, preferindo conteúdo genuíno em vez de produções altamente editadas.

Além disso, também existe uma redefinição entre os formatos, que expressam a multidisciplinaridade dessa geração como vídeos curtos, memes, podcasts e livestreams, ampliando a variedade de oferta de conteúdos e de plataformas de distribuição, o que gera uma disputa pela atenção dessa audiência e cria um ambiente de comunicação mais desafiador para as marcas.

De que forma é que o consumo de conteúdo da Geração Z influencia a sua relação, enquanto consumidores, com as marcas?

A Geração Z consome conteúdo de maneira altamente interativa, buscando engajamento real em vez de publicidade tradicional. É uma geração que cresceu com bloqueadores de anúncios, ou seja, aquele formato de publicidade onde a própria marca fala suas qualidades não gera uma sensação de confiança e transparência para essa geração. Por isso, preferem descobrir novas marcas e produtos através de criadores de conteúdo de sua confiança ou com conteúdos gerados por outros usuários conhecidos como UGC.

Além disso, pela variedade de plataformas com formatos de conteúdo diferentes, cria um desafio para as marcas conseguirem conversar com esse público, tanto no alinhamento da mensagem, quanto na estratégia de cobertura para gerar um impacto relevante. Por outro lado, marcas que conseguem construir essa comunicação veem o engajamento e o favoritismo dessa geração, que se reflete em viralização e no aumento do número de vendas.

“Geração Z: como entender melhor a geração não óbvia” é o tema da sua intervenção nos CRE8TRS. Com tantos estudos sobre esta geração, por que motivo continua a não ser óbvia?

Acredito que o principal fator que motiva a “não ser óbvia” são os insights, que, ao compreender o contexto onde essa geração se desenvolve, a audiência obtém de acordo com o seu mercado de atuação. Percebo que muitas pessoas têm várias críticas à geração Z e, ao assistir a palestra, conseguem compreender a origem dos comportamentos e essa compreensão gera um olhar diferente sobre a geração, um olhar não-óbvio.

O que as pessoas vão poder retirar da sua intervenção nos CRE8TRS?

Perceber como fatores históricos, económicos e geopolíticos influenciam no comportamento. Gosto de contribuir para um olhar mais abrangente, que gere compreensão da audiência para que consiga dialogar com a geração Z, pois somente através de um diálogo respeitoso conseguimos reduzir os conflitos geracionais dentro da sociedade e das organizações.

Carolina Neves

Segunda-feira, 17 Junho 2024 13:20


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