Porque há vida para lá de um e-mail

Paula CordeiroO correio electrónico, ao qual todos (ou quase) chamamos email invadiu as nossas vidas, melhorando a eficiência da comunicação. Até ao dia (que já deve ter chegado à maior parte das pessoas) em que se transformou num pesadelo.

Quantos de nós já não tentaram medir o seu grau de importância profissional, referindo, num tom que tem tanto de arrogante quando de desesperado, a quantidade de mensagens que recebe por dia, concluíndo que, dessas, apenas 10% eram efectivamente necessárias, 20% não lhe respeitam directamente, 10% são mensagens apenas para seu conhecimento e os restantes 50% serão spam ou algo não tão grave, mas igualmente dispensável. E números? Quantos não atiram com 200 ou 300 mensagens por ler para cima da mesa só para provar a sua relevância e incapacidade para gerir tal fluxo?

Páre de ler quem nunca o fez.

Agora que estamos em sintonia, falemos do que interessa: gerir a caixa de correio electrónica, separar o essencial do acessório. Sou incapaz de vos dar lições sobre o sistema de cores, a criação de regras, as pastas com tags, as ordens de prioridade. A mim, só me fazem perder tempo. Sou daquelas que tem tudo (ou quase tudo) no email e raramente encontra o que quer, quando precisa. Não sou desorganizada. Simplesmente não quero perder muito tempo a organizar a caixa de correio. Ganhar tempo. Eu sei que estão a pensar exactamente assim.

Criei umas regras para manter o mais importante organizado e, confesso, a minha regra preferida é a mensagem de férias. Para além disso, a melhor estratégia é ir consultando a caixa ao longo do dia, apagando o que não interessa e encaminhando para os locais devidos o que deve ficar arquivado. Tirando isso, não acredito em milagres. Paralelamente, encontrei uma excelente solução para diminuir o fluxo de mensagens na caixa de entrada. Deixei de usar a expressão “envia-me um email”, passei a telefonar sempre que a questão é simples e directa.

O resultado? Por enquanto não é brilhante, mas acredito que, se recuperarmos alguns hábitos do tempo em que a sociedade não estava (tão) digitalizada, possamos viver um pouco melhor.

Paula Cordeiro
Investigadora e Coordenadora da Unidade de Ciências da Comunicação no ISCSP

(Declaração de interesses: Paula Cordeiro é actualmente a provedora do ouvinte na rádio pública. Escreve na qualidade de investigadora na área da rádio)

Este artigo não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico.

briefing@briefing.pt

Terça-feira, 01 Outubro 2013 09:20


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