Briefing | Como nasceu a ideia de criar a “MAAT Happy Hour” e o que motivou esta abertura noturna do museu?
Rita Romão | A ideia da “MAAT Happy Hour” surgiu da vontade de reforçar a presença do museu na vida cultural da cidade, com uma proposta mais descontraída e acessível, sem nunca abdicar da sua missão curatorial e crítica. A abertura em horário noturno permite-nos chegar a novos ritmos e rotinas da cidade. Esta iniciativa responde também ao desejo crescente do público em ter modelos mais flexíveis, mais adaptados às exigências da vida urbana.
Acredita que este tipo de iniciativas podem promover a aproximação a novos públicos, nomeadamente os jovens?
Sem dúvida. A abertura ao final do dia, aliada a uma programação pensada para esses momentos, é uma forma eficaz de atrair públicos mais jovens e diversificados, que nem sempre se revêm nos formatos museológicos mais tradicionais. Criar oportunidades de fruição cultural fora dos horários convencionais — e fazê-lo com autenticidade e qualidade — permite ampliar o acesso, fomentar o diálogo intergeracional e aproximar o museu das comunidades que o rodeiam.
De que forma é que o novo plano de marketing marca uma transformação na comunicação do MAAT?
O novo plano de marketing afirma o MAAT como uma plataforma viva de pensamento crítico e diálogo contemporâneo, promovendo uma comunicação mais próxima, relacional e centrada nas experiências dos públicos. Apostamos em linguagens visuais mais dinâmicas, em formatos digitais inovadores e em campanhas colaborativas e que refletem o ecossistema criativo do museu. Trata-se de uma transformação estratégica: queremos que o MAAT seja reconhecido como um espaço de pertença, descoberta e bem-estar pessoal e coletivo.
O MAAT Kitchen também aderiu a esta iniciativa com uma campanha de preços especiais. Como foi pensada esta parceria interna entre o restaurante e o museu?
A articulação entre o MAAT e o MAAT Kitchen surgiu de forma orgânica, refletindo a convicção de que a experiência de visita deve ser pensada de forma integrada. Outras marcas também se aliaram a este formato inovador enriquecendo a experiência museológica – o caso da Quinta da Alorna. A ideia é gerar um ecossistema que active a dimensão social e de bem-estar. A campanha de preços especiais foi pensada como um gesto de hospitalidade e de partilha, como extensão da experiência museológica e criando uma nova rotina no museu. Temos também a decorrer uma parceria com o Oceanário de Lisboa para a aquisição de bilhetes com um valor de desconto e estamos a lançar uma entrada combinada, também com desconto, entre o MAAT, o MAC/CCB e o Pavilhão Julião Sarmento.
Esta experiência poderá repetir-se noutras épocas do ano ou até evoluir para novos formatos?
Sim, absolutamente. O sucesso do MAAT Happy Hour abre caminho para a sua repetição — e expansão — ao longo do ano. Estamos já a pensar em novos formatos em diálogo com os ritmos sazonais da cidade e com os públicos que nos visitam. O museu é um organismo vivo, e estas experiências alimentam a sua capacidade de envolvimento com o publico. A referência a experiências como as “Museum Nights” europeias — tão bem exemplificadas em cidades como Berlim, Amesterdão ou Paris — mostra-nos que a dimensão noturna dos museus pode ser profundamente transformadora. Em muitos desses contextos, os museus deixam de ser apenas espaços de contemplação e tornam-se palcos de encontro, descoberta e vivência cultural partilhada.
No MAAT, olhamos para estas referências com entusiasmo, mas também com a vontade de criar um modelo com identidade própria, ligado à energia da cidade de Lisboa e à nossa comunidade.
Simão Raposo

