Briefing | Qual o posicionamento da marca SECIL no panorama das marcas “Made in Portugal”? O que a distingue no setor dos cimentos e materiais de construção?
Pedro de Goulart Mendes | A SECIL é, antes de mais, uma marca com raízes muito fundas em Portugal. Com quase um século de história e 100 % de capital nacional, somos hoje o maior grupo português no setor dos materiais de construção. Temos uma presença relevante fora do território nacional, mas é em Portugal que tomamos todas as decisões estratégicas.
O que nos distingue? A capacidade de aliar tradição e inovação. Somos profundamente ligados a Portugal e às pessoas, e isso vê-se na forma como valorizamos a produção nacional, trabalhamos com parceiros locais e assumimos um compromisso real com a qualidade, a sustentabilidade e a confiança. Acreditamos mesmo que valorizar o que é feito em Portugal é dar força à nossa economia, apoiar o talento nacional e contribuir para um setor mais robusto.
Além disso, recebemos pelo 2.º ano consecutivo, a distinção da marca SECIL pela SUPERBRANDS Portugal, que nos enche de orgulho e reforça a forma como a marca é percebida: sólida, inovadora e comprometida com o país.
Quais são os principais valores e pilares identitários que a SECIL procura transmitir enquanto marca portuguesa com projeção internacional?
Na SECIL, a nossa identidade portuguesa é mais do que uma origem – é um compromisso. Produzimos localmente, investimos nas comunidades onde operamos e mantemos todo o capital e centros de decisão em Portugal. É um posicionamento claro, que reforça a ligação à economia nacional e à geração de valor cá dentro.
Sustentabilidade, inovação, confiança e qualidade são os pilares que nos orientam. Trabalhamos todos os dias para desenvolver soluções técnicas com menor impacto ambiental e maior eficiência, alinhadas com os desafios da construção e da transição energética.
E claro, há uma confiança construída ao longo de décadas por engenheiros, arquitetos e clientes que sabem o que esperar dos nossos produtos. Este reconhecimento, dentro e fora do país, ajuda a projetar a imagem de um Portugal industrialmente avançado, inovador e responsável.
De que forma a produção nacional, com recurso a matérias-primas e know-how locais, contribui para o reconhecimento da SECIL?
Apostamos, de forma muito clara, na produção local. Trabalhamos com matérias-primas e fornecedores portugueses na grande maioria dos casos e sempre que possível e fazemos questão de valorizar o talento nacional. Isso permite-nos estar mais próximos das comunidades e ter um impacto positivo direto na economia local.
Além disso, ao reduzir distâncias e transportes, conseguimos operar de forma mais eficiente e sustentável. No fundo, esta aposta fortalece o país, reduz a pegada ambiental e reforça a confiança na marca SECIL — cá dentro e lá fora. Quando um cliente sabe que os nossos produtos são 100 % “Made in Portugal”, sabe que está a escolher qualidade, inovação e responsabilidade ambiental.
Inovação e sustentabilidade têm sido temas centrais na indústria. Como é que a SECIL incorpora estes dois eixos na sua estratégia de marca e produto?
Na SECIL, inovação e sustentabilidade não são palavras da moda — são parte do nosso ADN.
O nosso caminho na sustentabilidade ambiental não é de hoje. Já começou há mais de 40 anos, com iniciativas como recuperação paisagística, adoção de combustíveis alternativos e desenvolvimento de cimentos compostos, ou seja, com menor necessidade de matéria-prima virgem.
Atualmente, os nossos clientes começam a valorizar cada vez mais a vertente sustentável dos seus negócios e o caminho de descarbonização que a SECIL está a fazer, assim como o desenvolvimento de práticas e produtos cada vez mais sustentáveis, contribuem positivamente para o nosso posicionamento como marca ambientalmente responsável e com o olhar no futuro.
Acreditamos que só há futuro no setor se houver capacidade para inovar com responsabilidade. Por isso, tudo o que fazemos nesta área não é apenas uma resposta às exigências do mercado, mas uma afirmação da nossa visão enquanto marca comprometida com um impacto positivo no ambiente.
Considerando o desafio da descarbonização, de que forma a SECIL pretende continuar a afirmar-se como marca nacional competitiva e responsável no mercado global?
A descarbonização é, sem dúvida, um dos grandes desafios da nossa indústria, mas também uma oportunidade real para inovar e transformar o setor. Na SECIL, assumimos esse compromisso com clareza e sentido de responsabilidade, com um plano de ação bem definido e alinhado com as metas europeias para a neutralidade carbónica até 2050.
Estamos a modernizar as nossas operações de forma estruturada, investindo em tecnologia e processos que reduzem significativamente as emissões. A fábrica do Outão é hoje um bom exemplo disso: após um investimento de quase 90 milhões de euros, posiciona-se como uma das unidades mais sustentáveis da Europa. Mas esta transformação não se resume a uma unidade — é transversal a toda a organização.
Temos vindo a reduzir o consumo de combustíveis fósseis, a incorporar resíduos como matérias-primas secundárias, a desenvolver produtos com menor pegada de carbono e a promover soluções inovadoras, como a construção modular em betão. Ao mesmo tempo, trabalhamos para garantir a circularidade do processo construtivo — o betão é um material 100 % reciclável e, no final da vida útil de um edifício, pode ser reintroduzido no ciclo de produção, reduzindo a necessidade de extrair matéria-prima virgem.
Tudo isto está a ser feito sem perder competitividade e mantendo aquilo que nos define: uma marca portuguesa, com um profundo compromisso com o território, mas com os olhos postos no futuro. Acreditamos que é possível liderar a transição energética do setor com responsabilidade, inovação e ambição. E é isso que estamos a fazer.
Que papel acredita que as marcas portuguesas como a SECIL devem assumir na valorização do talento, da engenharia e da capacidade industrial do país?
A SECIL tem um forte sentido de responsabilidade no que toca à valorização do talento nacional e ao contributo ativo para o desenvolvimento económico do país. Enquanto grupo industrial 100 % português, reconhecemos que o nosso impacto vai muito além da produção — passa também pela criação de valor económico, social e humano em Portugal.
Temos um compromisso de longa data com a promoção do talento nas áreas da engenharia e da arquitetura, nomeadamente através dos Prémios SECIL, que já contam com mais de 25 anos de existência e com o Alto Patrocínio da Presidência da República. Estes prémios são um símbolo do nosso investimento contínuo no reconhecimento da excelência técnica e da capacidade criativa nacional.
Mas a nossa ação não se esgota aí. Apostamos de forma consistente no talento local, na formação contínua e na criação de oportunidades reais de crescimento dentro da empresa. Mantemos uma forte ligação ao meio académico, promovendo colaborações com universidades e centros de investigação que nos permitem estar na linha da frente da inovação, enquanto contribuímos para fixar e desenvolver talento em território nacional.
Acreditamos que cabe às marcas portuguesas, especialmente às que têm uma presença estruturante na economia, como a SECIL, desempenhar um papel ativo na valorização dos recursos humanos e na afirmação da capacidade industrial do país. E é com esse espírito que continuamos a trabalhar: com os olhos postos no futuro, mas com os pés bem assentes no território e nas pessoas que nos fazem crescer todos os dias.

