Uma Nova Eficácia

José Carlos Lucas, Sales Supervisor CEMUSAQuando todos estão atentos aos dígitos percentuais da quebra de investimento publicitário – porque alguém fez a previsão de que em 2013 iríamos recuar entre 9% e 10% – há que referir a existência de um amplo mundo cheio de vida “para além do deficit”.

Os jovens que entraram neste universo comunicacional há cinco ou seis anos – já não é pouco – nunca conheceram outra realidade sem ser os cortes de budget, timings apertados, incomensuráveis horas perdidas em concursos quando deveriam ser investidas ao serviço do cliente. São muitos, mas também são demasiados os que perante as situações adversas batem em retirada para mercados mais racionais. Outros, que já passaram pelas diversas flutuações históricas da indústria, conseguem gerir com inusitada estupefação estes tempos de novos desafios e com a bagagem adquirida, sorrir perante alguns e seguir em frente. Desafios como a crescente saturação publicitária nos meios audiovisuais são atualmente quebra cabeças diários para quem tem de decidir e acima de tudo para quem deve aconselhar. Lembro-me de no seu discurso Kotler referir que a “taxa de mortalidade” das mensagens publicitárias nos EUA rondava as 1500 para 10, ou seja a absorção de 1500 mensagens diárias gerava um output que rondava as 10 capazes de alguma forma influenciarem o consumidor. Dados USA que não duvido se aplicam ao nosso mercado tendo em conta a evolução no tempo. Pouco, dirão muitos. Talvez. Mas se em média, essa dezena se revelar eficaz teremos um mecanismo de persuasão bastante alavancado.

Porém, uma criatividade assertiva e agressiva qb podem não assegurar a persecução dos objetivos delineados. O comportamento dos meios, a sua flexibilidade e hoje as tendências inovadoras e tecnológicas poderão tornar-se no key point de toda a estratégia de comunicação. A palavra chave deixou claramente de ser “tempo” para se transformar em envolvimento. Hoje os consumidores são unidades informadas – a crise obriga – mas emocionais, que quebraram elos passados. Seletivos naquilo que pretendem, preferem o imediatismo e um rápido input. Para tal, os meios tradicionais terão de modificar os seus modos persuasivos e acima de tudo fazer mais, melhor, em menos tempo e com menores custos. Tal é possível se houver equilíbrio em todas os players do mercado. Não se podem queimar etapas transpondo o bacoco para o ultramoderno. Cria vítimas e não é eficaz. A eficácia não se mede apenas pelos resultados obtidos. Chegar a um ponto fazendo mais por menos, olhar para trás e não ver ninguém, será tudo menos eficácia. Assim, há que respeitar todos os intervenientes no mercado e não perder tempo.

É bom para todos quando conseguimos atingir objetivos e festejamos o fato em equipa, premiando todos os parceiros que acompanharam o processo. Isso é eficácia e talvez se torne na maior contribuição para que os tais dígitos percentuais de quebra se atenuem gradualmente.

Segunda-feira, 21 Outubro 2013 09:46


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