Em simultâneo, se a economia mundial continuar a melhorar, são
previsíveis aumentos na taxa da juro a partir de 2º trimestre, seguindo
um movimento já iniciado este ano pelo Banco Central da Austrália. Com
o arranque de economia teremos também o aumento dos combustíveis
fechando assim, um nó terrível sobre as nossas classes média e baixa.
Por causa das contas públicas, mesmo que o Governo não aumente os
impostos seguramente não irá poder prolongar muito mais as medidas
extraordinárias de protecção social. Em simultâneo, mesmo que os
mercados externos recuperem a presente crise eliminou de facto bastante
do nosso tecido exportador pelo que a recuperação por esta via será
também lenta.
O que significa isto então, para quem vive de vender os seus produtos
no mercado interno? Mais gente, com menos dinheiro ou, pelo menos, com
menos confiança.
A chave para o sucesso passará na minha opinião por uma grande dose de
realismo. Porque o consumidor não apenas compra mais marcas próprias
como passou a assumi-lo, competir com este fenómeno passa por alterar a
percepção da relação qualidade / preço, trabalhando agora do lado do
preço.
Li recentemente que em Espanha a maioria dos consumidores diz preferir
comprar em outlets. Desconheço se existe semelhante estudo para
Portugal mas imagino que o cenário seja muito semelhante. Isto quer
dizer directamente que o consumidor quer comprar marcas! Quer é fazê-lo
nas melhores condições possíveis, ainda que isso represente fazer
concessões. Temos visto isto acontecer nos últimos meses e julgo que
para os próximos, o caminho se manterá.
As actividades co-op, em que 2 ou mais marcas procuram sinergias
poderão ser um caminho interessante, desde que se consiga partilhar a
alavanca nas vendas e não apenas o investimento total.
Provavelmente, a grande novidade será a introdução da flexibilidade e
adaptabilidade aos diferentes cenários que se irão colocar.
Com o desemprego, com uma distribuição geográfica não homogénea,
possivelmente, iremos assistir a novas estratégias “locais” por
distribuidores e produtores. Quem melhor e mais depressa entender as
necessidades actuais consumidor, mais vitórias irá obter nesta dura
batalha.
As soluções que as marcas adoptarem para alterar a percepção do preço
devem ser flexíveis e adaptáveis. Conceitos como novidade e
oportunidade deverão ser explorados, não apenas para acelerar a decisão
de comprar mas para não comprometer o posicionamento de preço da marca.
Velhos preconceitos começam agora a ser derrubados em nome do realismo
e da eficácia dos investimentos. Compreender o actual mood do
consumidor passa por responder ao que ele realmente procura e
oferecer-lhe um bom negócio. Afinal, não é isso que todos procuramos?
Por Pedro Guimarães, Director Geral da PacSis, Sistemas de Promoção e Marketing Lda.

