Independentemente dos ciclos económicos, crises internacionais, situação política nacional, inverno, verão, o conteúdo é exibido atingindo sempre um número de seguidores dentro do mesmo intervalo de resultados.
Não existe nenhum conteúdo nem mesmo um evento que seja comparável a esta realidade. Somente o futebol, mas é um conteúdo não diário.
As novelas conseguem, arrastam, retêm e são diárias.
Isto tem um enorme valor intrínseco, uma vez que estes conteúdos constituem-se cada vez mais como marcas de uma relevância e níveis de notoriedade enormes, possuindo uma margem de crescimento por explorar muito grande.
Neste momento, a relevância e o reconhecimento da notoriedade das marcas “Coração D’Ouro” ou “Rainha da Flores”, a título de exemplo, são seguramente superiores a muitas marcas de produtos que investem largas centenas e até milhares de euros pela sua notoriedade e relevância junto do seu target comercial.
Apesar de estarmos a assistir a um crescente interesse na integração de marcas nos conteúdos de ficção, capitalizando a notoriedade da marca da telenovela/série com a marca do produto que se quer comunicar, junto da personagem e do ator com quem se entende ter maior afinidade, ainda existe uma enorme margem de crescimento nesta ligação ao mercado.
Vem isto a propósito quando pensamos na necessidade das marcas em divulgarem os seus produtos. Existe um conteúdo “marca(nte)” que possui uma “montra” capaz de captar e integrar marcas da vida quotidiana.
Se os filmes 007 têm sempre o seu carro oficial, a presença da sua bebida favorita, o seu figurino composto com o seu novo modelo de relógio, onde estão estas marcas nos conteúdos que “marcam” a ficção portuguesa?
Esta ligação dos conteúdos ao mercado das marcas tem-se tornado relevante para o cluster das indústrias criativas e culturais. Caminhamos cada vez mais e de uma forma estruturada para a transformação das atividades culturais e criativas em bens económicos e comercializáveis.
Os títulos dos projetos tornam-se marcas quer por via de uma oferta doméstica quer por via de uma procura por outros mercados e esta atividade vem arrastando outros setores da economia com os quais habitualmente nos relacionamos e trabalhamos.
As marcas querem estar onde estão as pessoas e a ficção portuguesa possui este público. É este o desafio destes títulos de ficção, enquanto marcas para o mercado das marcas.

Existe uma realidade no mercado audiovisual português que passa pela presença diária de um conteúdo de ficção que contacta diariamente com 1.200.000 a 1.500.000 de telespetadores.