Seja ao almoço ou ao jantar, será sempre Intemporal

Tem o chef Miguel Laffan ao leme.

Seja ao almoço ou ao jantar, será sempre Intemporal

Fica na primeira linha do mar, em Paço de Arcos, e era a antiga Casa do Fiscal. Era – leia-se – porque agora é o Intemporal, do chef Miguel Laffan, que mete mãos à obra para mostrar que o tempo é mais do que um conceito, seja na cozinha ou na mesa.

“O nome ‘Intemporal’ vem de um processo de meia idade, de quando começamos a perceber o valor do tempo na sua plenitude. Queremos que algo dure eternamente, que haja uma paralisação do tempo… e tem sido esse o nosso lema, com foco na qualidade, nas estações do ano, nas pessoas”, explica Miguel Laffan, que é natural de ali perto, Cascais, e conta com mais de 25 anos de carreira.

O espaço abriu a 3 de janeiro e já passou por duas estações do ano. São elas que ditam a reinvenção do menu de degustação, que destaca ingredientes frescos e produtos sazonais, e combina povos e culturas díspares. Segundo o calendário, encontra-se agora ali a primavera.

Composto por 12 momentos distintos, o Menu de Primavera propõe uma experiência leve e delicada, como a própria estação, equilibrando produtos típicos da cozinha portuguesa com a inspiração asiática que o chef traz das suas vivências. São cinco partes – Prelúdio, Passagem, Permanência, Demora e Eternidade – e, em cada um deles, há entre uma a quatro propostas. Gyosa de lagostim, acompanhada de caril tailandês e torresmo de galinha; bolinho a vapor, com brandade de bacalhau, aioli de pimenta de La Vera e enguia fumada; cordeiro com legumes de primavera, especiarias e ervilha lágrima; ou morango com gengibre fermentado, rosas e limão, combinados com ananás dos Açores, lima e vinho Carcavelos são algumas das combinações gastronómicas.

Não há carta e este menu de degustação revela-se tanto ao almoço, como ao jantar. “Este tipo de restaurante está mais associado ao jantar, porque é quando as pessoas têm, efetivamente, mais tempo, mas, para mim, o Intemporal é mágico à hora de almoço”, afirma o chef, que brinca ainda dizendo que, com aquela vista, até podia vender amendoins.

É um restaurante muito pequeno, mas tem tudo que ver com rácio: são três pessoas na sala para dezasseis clientes – doze sentados no piso superior e quatro no balcão do chef. O conceito é da autoria da Ivity Brand Corp e a arquitetura e decoração de Paula Arez. Ao lado de Miguel Laffan, estão António Simões e Gabriel Cabo na cozinha, Letícia Silva na pastelaria e Luís Feiteirinha na curadoria enológica.

Pequeno em tamanho, mas grande na cozinha de autor. Pretensões de estrela Michelin? Tem!

Carolina Neves

Sexta-feira, 27 Junho 2025 11:22


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