A opinião de… Bianca da Silva, da CAETSU TWO

A Head of Social Media da CAETSU TWO Advertising Agency perspetiva o novo ano.

A opinião de… Bianca da Silva, da CAETSU TWO

Durante muito tempo o digital premiou volume. Quem publicava mais, aparecia mais. Quem gritava mais alto, ganhava atenção. Em 2026, já não convence. Já não prende. Estamos todos cansados disso.

Não porque as pessoas deixaram de consumir conteúdo, mas porque passaram a escolher onde ficam.

E curiosamente, enquanto o scroll acelera em quase todo o lado, há um lugar onde o tempo voltou a ter valor: o YouTube.

As pessoas vão ao YouTube quando querem perceber. Quando querem aprender. Quando querem decidir.

É lá que o conteúdo deixa de ser distração e volta a ser referência.

Vídeos mais longos não são um problema. Problema é não ter nada de relevante para dizer. Quando há valor, o tempo estica e ninguém reclama.

Por isso, em 2026, o vídeo longo não volta. Ele assume o lugar que sempre teve, o de construir autoridade, confiança e relação.

Os formatos curtos continuam a existir e vão continuar a ser essenciais. Mas já não são o destino final. São o convite.

Reels, Shorts e TikToks abrem a porta. O conteúdo profundo faz alguém entrar. E a comunidade faz essa pessoa ficar.

É também por isso que os microinfluenciadores ganham tanto peso.

Menos audiência. Mais contexto. Menos performance. Mais verdade.

São eles que criam conteúdo que parece conversa, não campanha. São eles que alimentam UGC real, reviews, bastidores ou experiências. E são eles que transformam marcas em escolhas, não em anúncios.

Ao mesmo tempo, as marcas mais maduras param de depender apenas de plataformas emprestadas e começam a investir em comunidades próprias.

Grupos pequenos. Relações contínuas. Espaços onde o algoritmo não decide quem vê o quê. Onde o conteúdo não desaparece, acrescenta.

WhatsApp, Telegram, Discord. Não importa o formato, importa a intenção. Menos alcance, mais vínculo.

No meio de tudo isto, a IA deixa de ser moda e passa a ser infraestrutura.

Ajuda a escalar, a personalizar, a otimizar. Mas não substitui aquilo que realmente diferencia uma marca em 2026: clareza, coerência e identificação.

Porque o novo consumidor é mais exigente. Quer simplicidade. Quer propósito, mas sem discurso vazio. Quer marcas que saibam o que defendem… e provem isso no dia a dia.

No fim, talvez a grande tendência de 2026 seja esta: as redes sociais deixam de ser uma sucessão de posts e passa a ser um sistema vivo.

Conteúdo curto para descobrir. Conteúdo profundo para confiar. Creators para humanizar. Comunidades para sustentar.

E marcas que entendem que a atenção pode até ser comprada, mas a confiança não.

Esta constrói-se. Com tempo. Com método. E com inteligência suficiente para não levar tudo demasiado a sério porque ninguém confia em marcas que parecem robôs.

Bianca da Silva, Head of Social Media da CAETSU TWO Advertising Agency

Segunda-feira, 29 Dezembro 2025 12:09


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