Vivemos numa era em que o dedo é mais rápido do que o cérebro

O Marketing Manager da Segurança Rodoviária, João Roldão, reflete sobre o revivalismo que caracteriza a Geração Z.

Vivemos numa era em que o dedo é mais rápido que o cérebro.

Percorremos feeds e saltamos de app em app à procura de algo que desperte o nosso interesse e atenção, e nesse frenético scroll, percebemos uma coisa estranha: nem sempre é a novidade que nos satisfaz – muitas vezes, o que nos conecta é o passado.

A Geração Z é, por natureza, revivalista. Crescemos entre o analógico e o digital, a arquivar o presente em tempo real, conscientes de que envelhece depressa, e de que tudo se tornou mais rápido, mais imediato, mais acessível. Mas também mais fugaz.

Temos saudades desses tempos em que tínhamos vagar, em que éramos mais inocentes e tudo parecia mais autêntico, até mesmo nas plataformas digitais. É por isso que romantizamos 2016 e que, dez anos depois, os nossos feeds voltam a encher-se de fotografias com filtros do Snapchat e de músicas que já não ouvíamos há anos (mas que ainda sabemos de cor), numa tentativa de encontrar algum conforto…

No entanto, esta busca pelo passado não é individual – tornou-se num movimento cultural coletivo, e é aqui que surge uma pergunta que o marketing não pode ignorar: como criar relevância quando o público olha para trás para se perceber a si mesmo?

Sabemos o quão exigentes somos nas relações que estabelecemos, com as pessoas e também com as marcas: somos-lhes fiéis pelo que elas significam, pelos seus valores se alinharem com os nossos, e pelas suas histórias se cruzarem com a nossa. É aqui que as marcas encontram uma oportunidade estratégica genuína de criar experiências que invoquem as memórias do consumidor, e que façam o storytelling cumprir o seu propósito: ser a arte de fazer o dedo parar de deslizar. Porque a atenção não se compra, conquista-se. E conquista-se quando, quem comunica, sabe para quem quer comunicar e compreende que o marketing não se trata apenas de vender, mas sim de proporcionar experiências, despertar emoções e de ser um espelho para o seu público. É essa sensação de reconhecimento que o consumidor procura na relação com as marcas que elege, e que tornará uma campanha numa memória, e uma memória num vínculo duradouro.

2026 confirma-nos isso em tempo real: uma década é a distância perfeita entre o que passou e o que ainda nos prende. Não é coincidência, é um ciclo previsível que o marketing pode, e deve, antecipar.

No fundo, o que a trend “2026 is the new 2016” nos ensina é que olhar para trás não é ficar agarrado ao passado – é perceber o que nos une, e o que nos faz ficar mais do que três segundos.

João Roldão, Marketing Manager da Segurança Rodoviária

Terça-feira, 28 Abril 2026 10:00


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