A marca contra o scroll

A marca contra o scroll

Num ambiente digital marcado pela velocidade e pelo excesso de estímulos, captar a atenção tornou-se um dos maiores desafios da comunicação. A social media manager na Junta de Freguesia de Benfica, Lara Ferreira, reflete sobre os hábitos de consumo da Geração Z e o que estes significam para marcas e criadores de conteúdo.


Enquanto profissional na área da comunicação e gestão de redes sociais, há uma mudança que se tornou impossível de ignorar no dia a dia, que é a forma como consumimos conteúdos digitais.

Durante muito tempo, acreditou-se que uma narrativa eficaz dependia de construção, tensão e clímax. Hoje, essa estrutura não desapareceu, mas foi comprimida. O impacto acontece mais cedo, quase sempre no início, porque é aí que se decide tudo. Ainda assim, insistir na ideia de que as pessoas já não têm atenção é uma leitura superficial. O que existe não é ausência de atenção, mas uma saturação constante de estímulos e escolhas.

A Geração Z não consome menos conteúdo, consome mais e de forma mais exigente do que qualquer geração anterior. Em segundos, decide o que merece continuar e o que é descartado. Isto coloca uma pressão clara sobre marcas e criadores de conteúdo, porque já não basta comunicar, é preciso ser relevante à velocidade da decisão. Nesse sentido, estamos a assistir a uma redefinição silenciosa do sucesso e a retenção tornou-se numa métrica de sobrevivência.

Para quem trabalha na área, a questão deixou de ser teórica e passou a ser prática: Como criar impacto imediato sem retirar profundidade ao conteúdo?

Mais do que um problema geracional, este cenário é o espelho da forma como a atenção se tornou o recurso mais disputado da comunicação, exigindo de nós mais rigor e não menos profundidade. O erro reside em tentar resistir ao scroll como se fosse um obstáculo, quando ele é, na verdade, o próprio ambiente onde a comunicação acontece.

Por isso, o desafio não é acompanhar a velocidade, mas dominar o momento em que alguém decide parar. No meio da saturação digital, a marca vencedora não é a mais ruidosa, mas a que atribui sentido ao milissegundo da escolha. Comunicar para a Gen Z não exige que combatamos o algoritmo ou atrasemos o passo, exige, antes, que sejamos a exceção que justifica a pausa e o conteúdo que consegue, momentaneamente, fazer o scroll parar.

Lara Ferreira, social media manager na Junta de Freguesia de Benfica

Terça-feira, 02 Junho 2026 09:20


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