Nos dias que correm vivemos rodeados de barulho, seja das várias marcas, das agências e das redes sociais. Todos querem ser os primeiros a comunicar, a lançar novidades e a captar a atenção. No entanto, quando toda a gente fala ao mesmo tempo, ninguém se consegue ouvir – e é por isso que, no meio de tanta confusão e excesso de publicidade, torna-se cada vez mais difícil as marcas se conseguirem destacar e ganhar relevância junto dos consumidores.
Neste contexto, o marketing parece viver em constante urgência. Tudo é para ontem, as marcas comunicam de forma apressada e copiam-se umas às outras apenas para “não ficarem para trás” nas tendências ou para acompanharem o ritmo do mercado, sacrificando assim a sua própria identidade e até a sua relação com o público.
A chave não está em comunicar mais alto nem com maior frequência, mas em saber quando se deve comunicar. Comunicar bem não implica apenas saber o que dizer – é saber quando o dizer. Existem momentos em que as pessoas não se sentem recetivas a ouvir, e é por isso que falar no momento certo pode ser o que faz uma mensagem ser realmente ouvida e marcante para alguém.
No Marketing não é só fazer Ctrl+C e Ctrl+V, não basta copiar o que já foi feito. O que resulta num contexto pode falhar noutro, porque cada marca tem a sua voz, o seu público e o seu timing. Ao comunicar sem considerar se faz ou não sentido para o seu público, o seu tempo e o seu contexto, os consumidores recebem mais uma mensagem igual a tantas outras e ignoram.
É nesse contexto que se torna cada vez mais importante encontrar o momento certo para comunicar. Há momentos em que os consumidores não querem mais uma mensagem, mais uma campanha, mais um post igual aos outros. Querem sentir que a marca os percebe.
A geração Z já cresceu no meio deste excesso de conteúdos e anúncios. Já não nos cativa quem fala mais alto ou com mais frequência, muito pelo contrário, quanto maior o ruído, maior a tendência para ignorarmos.
É precisamente por isso que às vezes é necessário fazer CTRL Z – parar, observar e voltar atrás. Num mundo onde tudo parece urgente, esta capacidade de voltar atrás é cada vez mais rara, mas essencial. Questionar se aquela mensagem faz sentido agora, naquele momento e para aquelas pessoas. Isto mostra que a marca ouve, aprende e adapta-se, gerando confiança e proximidade com o seu público. Talvez seja precisamente essa capacidade de fazer CTRL Z o que permite às marcas serem ouvidas, em vez de se tornarem apenas mais uma voz no mercado.
Matilde Almeida, estudante de Publicidade e Marketing na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS)

