Briefing | A Riedel é representada em Portugal pela Portfolio Vinhos desde 2009. Como avaliam a evolução da marca no mercado português e que importância tem hoje Portugal na estratégia da Riedel?
Diogo Melo e Castro | Portugal tem-se afirmado como um mercado muito interessante para a Riedel, pela combinação entre uma forte tradição vínica e uma crescente valorização da qualidade e da experiência associada ao vinho.
Desde 2009, temos assistido a uma evolução muito positiva da marca em Portugal, tanto em notoriedade como em reconhecimento, não apenas junto dos profissionais do setor, mas também junto de um consumidor final cada vez mais informado e exigente.
Embora Portugal não seja, naturalmente, um dos maiores mercados internacionais em volume, tem uma relevância particular pela qualidade e diversidade dos seus vinhos, pela importância da restauração e hotelaria e pelo dinamismo do enoturismo. É também um mercado onde existe uma forte valorização do detalhe, da autenticidade e da excelência, valores que estão profundamente alinhados com a filosofia da Riedel.
A Riedel tem mais de 270 anos de história, mas foi sobretudo a partir da década de 50 que começou a transformar a relação entre a forma do copo e a experiência de degustação. Mais de seis décadas depois, sente que esta ideia já está plenamente assimilada pelos consumidores ou continua a ser necessário educar o mercado?
Hoje existe uma consciência muito maior de que o copo tem um papel determinante na forma como percecionamos um vinho. A questão já não é tanto explicar se o copo faz diferença, mas demonstrar o quanto pode fazer diferença.
E é precisamente aí que continua a existir uma enorme oportunidade para a Riedel. Sempre que realizamos experiências práticas, percebemos que muitas pessoas ficam surpreendidas com a dimensão das diferenças que conseguem identificar, mesmo em consumidores experientes.
Por isso, acreditamos que a educação continua a ser fundamental. Não necessariamente no sentido tradicional de ensinar, mas de proporcionar experiências que permitam às pessoas descobrir por si próprias aquilo que torna a Riedel única.
A coleção Superleggero recupera as formas da histórica coleção Sommeliers e combina-as com tecnologia de produção de elevada precisão. O que representa esta coleção na evolução da Riedel e que consumidor pretende conquistar?
A Superleggero representa muito bem a capacidade da Riedel de combinar tradição, inovação e tecnologia. A coleção foi lançada em 2023, no âmbito do 50.º aniversário da coleção Sommeliers, recuperando as suas formas icónicas e reinterpretando-as através de uma produção mecânica de elevada precisão. É uma coleção “premium machine-made”.
O objetivo não é simplesmente chegar a um novo consumidor, mas sim elevar a proposta da marca para consumidores e profissionais que procuram o máximo desempenho, precisão e sofisticação, a valores mais acessíveis que os “handmade”.
É uma coleção particularmente relevante para quem entende o vinho como uma experiência e reconhece que os pequenos detalhes podem ter um impacto significativo. Para esse consumidor, o copo deixa de ser apenas um acessório de mesa e passa a ser uma ferramenta essencial para revelar todo o potencial de um vinho.
Num mercado onde o vinho assume um peso tão importante como em Portugal, que oportunidades identificam para aproximar a marca dos consumidores e dos profissionais da restauração e da hotelaria?
Portugal atravessa um momento interessante, marcado pela valorização da gastronomia e da cultura vínica, pela evolução da restauração, da hotelaria e do enoturismo. Para a Riedel, isso significa que existe um enorme potencial para criar mais momentos de contacto direto com a marca.
Acreditamos no trabalho próximo de produtores, restaurantes, hotéis, sommeliers e escolas de hotelaria/formação, criando experiências que demonstrem, de forma simples e concreta, o impacto que o copo certo pode ter na expressão de um vinho.
Acreditamos que é através destas experiências, e não apenas através da comunicação, que conseguimos criar verdadeira preferência pela marca. Quando alguém prova a diferença, compreende imediatamente o valor da Riedel.
Quais são os próximos passos da Riedel em Portugal? Devemos esperar um reforço da presença da marca, novas iniciativas de formação e experiências de degustação ou a chegada de mais novidades ao mercado nacional?
O nosso objetivo é continuar a aprofundar a ligação da Riedel ao mercado português, reforçando a proximidade com profissionais e consumidores.
Isso passa por continuar a investir em formação, provas e experiências, mas também por identificar novas oportunidades de colaboração com os diferentes intervenientes do setor. Acreditamos que ainda existe um enorme potencial para aumentar o conhecimento sobre a marca e sobre aquilo que distingue verdadeiramente a Riedel.
Naturalmente, Portugal continuará também a acompanhar as novidades e inovações desenvolvidas pela Riedel a nível internacional, como acontece agora com a Superleggero. A coleção é um excelente exemplo de como a marca consegue pegar numa herança de décadas e reinterpretá-la através da tecnologia contemporânea.
E é essa combinação entre história, inovação e conhecimento que queremos continuar a trazer para o mercado português, ajudando cada vez mais pessoas a descobrir que, muitas vezes, a melhor forma de revelar um vinho começa precisamente pelo copo onde o servimos.
Carolina Neves

