À medida que nos aproximamos de 2026, sinto que a moda – e sobretudo o marketing que a traduz – entra num período de depuração. Para marcas como a Lachoix, que combinam fabrico local, produção limitada e propostas baseadas em autenticidade, qualidade e conforto, estas mudanças não são apenas tendências: são oportunidades de reforçar um posicionamento que o mercado começa finalmente a valorizar, quase como um reencontro com aquilo em que sempre acreditámos. Em primeiro lugar, vejo um consumidor que quer sentir a alma por detrás do produto, que procura perceber o porquê das escolhas da marca – desde a origem dos materiais até à forma como produz.
Já não basta dizer que fazemos bem: é preciso mostrar como e porquê. No universo do calçado, isso significa revelar as mãos que constroem cada modelo, explicar opções de materiais e assumir, sem receio, o ritmo mais lento que a qualidade exige. Para mim, que acompanho cada par desde o desenho inicial até ao toque final, esta transparência é mais do que uma estratégia: é respeito pelo consumidor e pelo produto. Em 2026, a diferenciação virá menos do que se promete e mais do que se prova. Outra tendência que ganha força é a personalização – não no sentido do “exclusivo” artificial, mas da proximidade verdadeira. As mulheres querem sapatos que entendam o seu dia, que acompanhem o corpo e transmitam confiança sem sacrificar conforto.
Acredito que a personalização será sobretudo isto: escuta ativa e capacidade de antecipar desejos antes de serem verbalizados. Na Lachoix, esse diálogo tem sido a nossa bússola. A Inteligência Artificial (IA) entrará no marketing de forma mais natural e madura. Não para substituir a intuição humana, mas para afinar decisões, prever padrões e reduzir desperdício. Para uma marca de slow fashion como a Lachoix, que trabalha com edições limitadas, a IA será uma aliada na produção consciente e equilibrada.
Por fim, pressinto um regresso à dimensão emocional do consumo. As marcas que marcarão 2026 serão as que souberem criar vínculos, não apenas audiências. Na Lachoix, isso significa fortalecer a comunidade que se reuniu em torno do nosso ideal de conforto elegante e produção ética. Cada cliente que entra na loja ou nos escreve não é um número: é parte da história que estamos a construir. Acredito que 2026 será um ano de afirmação para quem souber equilibrar tecnologia, humanidade e propósito.
Na Lachoix, queremos crescer de forma sustentável e continuar fiéis ao que nos move desde o primeiro dia: criar sapatos que façam sentir – no pé, na pele e no coração – que a verdadeira moda respeita quem a usa e quem a faz.
Fátima Carvalho, fundadora e diretora criativa da Lachoix

