A opinião de… Carlos Rosa, do IADE

O diretor do IADE dá sua visão sobre como deve ser o ensino nas áreas criativas.

A opinião de... Carlos Rosa, do IADE

Nas áreas criativas, aprender é um verbo que só ganha sentido quando se faz. A verdadeira aprendizagem não acontece apenas quando se compreende uma teoria ou se analisa um conceito, mas quando o conhecimento se transforma em ação, quando se experimenta, quando se erra, quando se refaz e se cria algo que não existia antes.

A experiência é o lugar onde o pensamento se concretiza. É aí que o estudante aprende a traduzir uma ideia em forma e a transformar a abstração em impacto. Nas áreas do design, da comunicação e da tecnologia, essa passagem do conceito à concretização distingue quem pensa de quem faz acontecer. O ensino experiencial parte exatamente dessa premissa: só se aprende verdadeiramente quando o conhecimento é posto à prova.

Num mundo saturado de informação e de ideias, o desafio já não está em ter boas ideias, mas em dar-lhes vida. Por isso, o projeto, e não apenas o exercício, deve estar no centro do processo educativo. Cada projeto representa uma síntese entre pensamento crítico, criatividade e execução. Obriga o estudante a tomar decisões, a justificar escolhas, a dialogar e a enfrentar a realidade.

A aprendizagem nas áreas criativas é, por natureza, colaborativa. Raramente se cria sozinho. Aprende-se a ouvir, a negociar e a integrar perspetivas diferentes: de colegas, docentes, profissionais e comunidades. Essa dimensão coletiva é essencial para preparar os estudantes para um mercado onde a interdisciplinaridade e a empatia são tão importantes quanto a técnica.

O papel do professor também se redefine. Deixa de ser o detentor do saber para se tornar um orientador de processos. Ensinar significa criar condições para que o estudante descubra o seu próprio caminho e identidade profissional. O docente acompanha, questiona e inspira, ajudando a formular perguntas antes de oferecer respostas.

Outro aspeto essencial é a ligação entre a aprendizagem e o mundo real. Trabalhar com desafios concretos, em colaboração com empresas, instituições ou causas sociais, permite compreender o valor económico e cultural do talento criativo. O estudante percebe que a criatividade não é um dom, mas uma responsabilidade: usar o conhecimento para melhorar o mundo à sua volta.

O ensino experiencial é, acima de tudo, uma atitude perante o futuro. Num tempo em que a inteligência artificial e a automação desafiam a própria noção de autoria, o fator humano volta a ser essencial. Aprender fazendo é aprender a pensar, a questionar e a criar sentido num mundo em transformação. É um exercício de autonomia e de consciência crítica, que prepara para uma realidade profissional em mutação e para uma cidadania mais ativa e responsável.

Ensinar a criar é ensinar a mudar. E mudar é o primeiro passo para transformar pessoas, ideias e o próprio futuro.

Em suma, aprender através de um pensamento que não se dissocia da manualidade, transforma o pensamento em ação e acima de tudo, transforma a ação em conhecimento.

Carlos Rosa, diretor do IADE – Faculdade de Design Tecnologia e Comunicação Da Universidade Europeia

Terça-feira, 25 Novembro 2025 12:13


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