O marketing de influência cresceu a uma velocidade superior à sua própria maturidade. Passou de tática complementar a um dos principais motores de construção de marca e geração de negócio. Hoje, influencia decisões de consumo, posiciona marcas e movimenta investimentos significativos. Mas continua, em muitos casos, a operar sem critérios claros, sem standards definidos e com níveis de responsabilização desiguais, o que começa a ser um risco real.
Coexistem no mesmo espaço criadores altamente profissionais, com estratégia, consistência e capacidade comprovada de gerar impacto, e outros que surgem de forma espontânea, sem estrutura, sem compromisso e, muitas vezes, sem noção do seu papel enquanto parceiros de negócio das marcas. Esta mistura, sem qualquer filtro, dificulta decisões, aumenta o risco de investimento e contribui para a desvalorização do próprio canal.
Quando tudo é influência, nada é influência. É precisamente por isso que se torna urgente dar um passo em frente e profissionalizar o setor – não para o limitar, mas para o proteger e fazer crescer de forma sustentável.
Esse caminho passa pela definição de critérios mínimos claros: transparência na comunicação comercial não pode ser opcional; métricas têm de ser auditáveis e relevantes, não apenas números de seguidores ou visualizações inflacionadas; a consistência editorial deve ser valorizada como um ativo central de cada perfil.
O mercado beneficiaria também de mecanismos de validação ou certificação que permitissem distinguir diferentes níveis de maturidade, desde criadores ocasionais a criadores profissionais e embaixadores de marca. Esta distinção ajudaria as marcas a tomar decisões mais informadas e reforçaria o reconhecimento de quem trabalha com consistência.
Outro ponto crítico é a responsabilização. Influenciadores profissionais devem assumir compromissos claros, com entregas definidas, padrões de qualidade e alinhamento estratégico, este é um passo essencial para aproximar o marketing de influência de outros meios mais maduros.
Importa ainda educar o mercado, muitas marcas continuam a investir com base em métricas superficiais, muitas agências não exigem o rigor necessário, e muitos criadores ainda não encaram esta atividade como um negócio. Profissionalizar não é elitizar. O sector deve continuar aberto a novos talentos e a diferentes abordagens mas, existe uma diferença clara entre quem cria conteúdo e quem constrói valor para marcas de forma consistente e essa diferença deve ser reconhecida.
O marketing de influência já não é tendência, é infraestrutura de comunicação. E como qualquer infraestrutura relevante, precisa de regras, standards e confiança.
A alternativa é simples. Ou o setor evolui de forma estruturada ou será o próprio mercado a impor esse ajuste, com menos investimento, mais desconfiança e menor relevância. A profissionalização não é uma opção. É o próximo passo natural.
Tiago Froufe Costa, CEO da LUVIN’

