Geração Beta: Uma geração que exigirá novas formas de comunicação

A Managing Partner da Havas Media Portugal, Rita Amzalak, escreve sobre a Geração Beta, que nasceu em 2025 e que irá durar até 2039.

Geração Beta: Uma geração que exigirá novas formas de comunicação

O ano de 2025 marcou o início de uma nova geração – a Geração Beta, que irá durar até 2039. Este grupo, filhos dos últimos Millennials e da Geração Z, vai crescer imerso em tecnologias que hoje ainda consideramos avançadas, mas que, para eles, serão o quotidiano mais natural de sempre. A inteligência artificial generativa, a realidade aumentada e ambientes virtuais imersivos, são recursos tecnológicos que vão estar presentes desde o seu primeiro dia de vida.

E esta é uma mudança de paradigma que poderá trazer grandes consequências. A prova disso é o caso dos Zillenials, uma “pseudo” geração que distingue os membros da Geração Z, que nasceram já como extensão natural da internet, daqueles que nasceram ainda num tempo pré-digital. Essa condição híbrida impactou de forma decisiva as expectativas, as características e as preferências destas “inter-gerações”, revelando como pequenas diferenças no ponto de partida tecnológico podem criar públicos com lógicas de consumo e de comunicação muito próprias.

E, por isso, o pioneirismo dos Beta neste contexto de nativos da época da Inteligência Artificial generativa é suficiente para nos fazer questionar: como podemos preparar as marcas para se conectarem com uma geração em que a tecnologia mais avançada de hoje será apenas o ponto de partida para o futuro?

Vamos imaginar o que esta geração poderá herdar dos seus antepassados e onde poderá abrir espaço para novas exigências: Dos Millennials, os Beta irão possivelmente herdar a desconfiança perante discursos de marketing vazios. Basta olharmos para bons exemplos da elevada credibilidade atribuída a marcas como a Patagonia, cuja mensagem é constantemente comprovada com práticas e campanhas coerentes. Esta exigência de alinhamento entre discurso e prática ganhará proporções de maior escrutínio, com um olhar mais implacável, e será um pilar cimentado na forma como os Beta se relacionam com as marcas.

E se hoje a personalização é uma tendência entre os consumidores, para os baby Beta será um must inegociável, principalmente pensando em experiências ajustadas em tempo real às preferências individuais. No entanto, essa personalização só será eficaz se for construída com base em práticas éticas de gestão de dados, com total transparência e respeito pela privacidade – um valor que será provavelmente herdado dos Zillennials.

Para os Beta, a sustentabilidade será outro aspeto inegociável. Esta geração nasce de pais que já priorizam estas questões e crescerá ainda mais consciente dos desafios climáticos e sociais – principalmente da Geração Z.

Esta nova geração, cujo próprio nome remete para um conceito ainda em desenvolvimento, esperará que as marcas deem o seu melhor e atuem com responsabilidade para contribuírem, efetivamente, para o bem comum. As empresas que continuarem a ignorar estas exigências perderão, inevitavelmente, relevância e confiança junto deste novo público que será já visto como “a geração do futuro” que as grandes empresas prometem hoje “estar a proteger”.

Por fim, da Geração Alpha, certamente herdarão esta relação quase instintiva com o digital. Se os Alpha já nasceram rodeados de tablets, YouTube Kids e assistentes de voz como a Alexa – ainda que com pais a tentar impor limites de ecrã –, os Beta chegam a um mundo onde uma simples pesquisa já lhes dá como resultado principal uma resposta gerada por IA. E irão elevar esta intimidade tecnológica a novos níveis, numa visão cada vez mais imersiva e envolvente a nível multissensorial – a Geração Beta procurará interações que estimulem múltiplos sentidos e criem conexões emocionais autênticas.

As marcas terão, por isso, de investir em estratégias que vão além do visual: incorporar elementos táteis, sonoros e até olfativos que serão essenciais para se destacarem num mercado saturado de estímulos.

Finalmente, a Geração Beta não procurará apenas produtos, mas experiências com propósito e marcas meaningful. A compra será um ato político e emocional mais do que uma transação de consumo.

O desafio está lançado às marcas: estaremos prontos para falar a “língua” do futuro?

Rita Amzalak, Managing Partner da Havas Media Portugal

Quinta-feira, 08 Janeiro 2026 11:56


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