Briefing | Esta segunda edição dos TheFork Awards with Mastercard reconhece 37 novas aberturas em nove distritos. Que movimentos ou transformações na restauração nacional se tornam visíveis através desta seleção?
Susana Castro | É muito interessante ver que este ano a seleção de nomeados destaca-se por uma maior diversidade geográfica. Na primeira edição, os nomeados estavam distribuídos por sete distritos, enquanto que agora as nomeações abrangem nove. A inclusão da ilha da Madeira é um ótimo exemplo dessa expansão: em 2024, não teve representação; este ano conta com dois restaurantes do chef Júlio Pereira.
Também observamos um crescimento no distrito de Évora, que conta com mais um nomeado em relação à edição anterior, além de novas entradas como Setúbal e Vila Real. Estes dados demonstram que a boa gastronomia está a ganhar cada vez mais reconhecimento fora dos grandes centros urbanos, reforçando a riqueza e a diversidade gastronómica do nosso País.
Em termos de projetos, nesta edição os nomeados demonstram um alinhamento ainda maior com as tendências internacionais, ao mesmo tempo que valorizam profundamente os aspetos tradicionais da nossa gastronomia. Nota-se uma crescente preocupação com o uso de produtos sazonais e uma aposta clara na reinvenção da cozinha portuguesa, respeitando os seus traços mais genuínos.
Mais de 56 % dos nomeados apresentam projetos centrados na cozinha portuguesa, o que revela um compromisso em renovar a nossa identidade culinária sem perder a autenticidade. Acima de tudo, o que se mantém consistente entre todos é a preocupação com a qualidade gastronómica e a experiência oferecida a cada cliente, fatores que continuam a ser o verdadeiro selo de excelência destes projetos.
A entrada da Mastercard como naming sponsor e a criação do Mastercard Impact Award trazem uma nova dimensão ao evento. Como é que esta parceria reforça a ligação entre gastronomia, inovação e impacto social?
A nova identidade do evento, TheFork Awards with Mastercard, vem reforçar o compromisso da Mastercard em apoiar iniciativas que valorizam o talento, a sustentabilidade e o impacto positivo no setor da restauração. Esta parceria simboliza uma união entre gastronomia, inovação e responsabilidade social, alinhada com a visão de ambas as marcas.
E para dar ainda mais força a esta colaboração, nasce em 2025 um novo prémio: o Mastercard Impact Award. Este prémio será entregue durante a gala e distingue o restaurante – entre os nomeados – que se destaque pela sua liderança em uma das três áreas fundamentais: o apoio a comunidades e negócios locais; a promoção do turismo local e alternativo, através de abordagens criativas; e o desenvolvimento de talento, com foco no crescimento e na inovação.
Com esta iniciativa, reforçamos o impacto positivo que a gastronomia pode gerar, não só enquanto experiência cultural, mas também enquanto motor de transformação social e económica.
Este modelo, em que mais de 50 chefs apontam os nomes a seguir, desafia os tradicionais prémios gastronómicos. Que vantagens e que responsabilidade acrescida traz esta curadoria feita pelos pares?
Costumo dizer que, a partir do momento em que um restaurante é reconhecido e selecionado por um júri tão prestigiado, já se pode considerar um vencedor. Esse reconhecimento é, por si só, um verdadeiro selo de qualidade.
O setor gastronómico tem uma dinâmica muito própria e uma comunidade altamente atenta e exigente. Por isso, ser distinguido por mais de 50 chefs com carreiras consolidadas é motivo de grande orgulho para qualquer restaurante. É uma validação clara de que estão no caminho certo.
Sendo que o TheFork, através destes prémios, consegue amplificar essa visibilidade, reforçando e valorizando o reconhecimento atribuído aos restaurantes pelos seus pares.
Nesta edição, o público volta a votar no People’s Choice Award. Como é que esta participação da comunidade contribui para aproximar consumidores, restaurantes e a própria plataforma TheFork?
É muito interessante ver o envolvimento do público, a seriedade e a motivação com que participa na votação do People’s Choice Award. Num país como Portugal, onde ainda existem poucos prémios de reconhecimento gastronómico – sobretudo quando comparado com mercados como Itália ou Espanha –, esta participação ganha uma relevância ainda maior. Há uma clara necessidade de dar visibilidade e valor aos novos projetos, e é muito gratificante perceber que o público está atento e reconhece essa importância.
Este ano, registámos um crescimento de 42 % no número de votos em comparação com a edição passada, o que mostra que as pessoas estão cada vez mais conscientes do impacto que este tipo de distinção pode ter na vida dos restaurantes.
Mais do que um simples prémio, esta iniciativa cria uma ligação especial entre o público e os restaurantes, e o TheFork é a plataforma que torna essa relação possível. Seja ao dar visibilidade a novos projetos, seja através dos votos do público ou do olhar atento dos verdadeiros apreciadores de gastronomia, o que se cria aqui é uma comunidade unida em torno da paixão pela boa comida e pelo talento que existe no nosso País.
Num contexto em que a restauração enfrenta desafios estruturais, desde o talento à sustentabilidade, como podem estes prémios ser um motor de visibilidade e inspiração para quem está a construir o futuro do setor?
Estes prémios têm vindo a consolidar-se tanto a nível nacional como internacional, como uma verdadeira referência no setor, sobretudo porque destacam aquilo que de mais vibrante e promissor está a acontecer na gastronomia nacional. Ao reconhecerem novas aberturas, pretendem exatamente isso: dar visibilidade à inovação e à criatividade, abrir portas para novos talentos e potenciar a qualidade da restauração em Portugal, que tanto nos orgulha a nível internacional.
Ao mesmo tempo, não deixamos de valorizar quem tem vindo a marcar o panorama gastronómico de forma consistente ao longo dos anos. Esta edição traz uma novidade importante: além de destacar novos projetos, vamos também reconhecer alguns daqueles que, apesar de terem aberto as portas há muito tempo, continuam a resistir a todos os desafios que o setor tem enfrentado. São projetos resilientes, que mantêm a sua relevância e qualidade mesmo em contextos adversos, e que, com o seu trabalho inspirador, continuam a elevar os padrões da gastronomia nacional e a motivar a próxima geração de chefs e empreendedores.
Carolina Neves

