É chegada a época das… listas de tendências para o próximo ano! Antecipam o que vai transformar o mercado, o marketing, o consumo… Mas não se deixem enganar pelo título (só estava a provocar), considero-as muito úteis.
A Briefing lançou-me o desafio de escrever sobre aquilo que, como profissional de marketing, antevejo para 2026. E, tão importante como falar de tendências externas, pareceu-me ser olhar para dentro das empresas e refletir sobre:
Como se devem as empresas preparar para 2026?
Se olharmos para a empresa como um prédio, o passo mais urgente, neste momento, é analisar a infraestrutura que a sustenta e perceber onde se deve reforçar. E esse reforço, a meu ver, deve incidir sobre três eixos principais:
Eixo 1 – Dados interligados
Tudo começa na forma como a empresa organiza os seus dados e, sobretudo, na forma como os consegue interligar. Sistemas isolados já não são compatíveis com os algoritmos e automações que hoje podemos implementar. Quando a informação financeira vive no ERP, os dados dos clientes no CRM e o restante dispersa-se por múltiplas plataformas, a empresa não consegue ter uma visão integrada. E sem integração há apenas dados soltos, os algoritmos ficam limitados a silos, não sendo possível tirar partido da sua vantagem mais diferenciadora: apoiar-nos a ver e a agir em modo 360º. É por isso que a adoção de abordagens como os data lakes deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade.
Eixo 2 – Rapidez de decisão
O ritmo de adoção tecnológica está cada vez mais acelerado. O chatGPT foi lançado pela OpenAI a 30 de novembro de 2022 e, em apenas cinco dias atingiu um milhão de utilizadores. Passados três anos, conta com cento e oitenta milhões de utilizadores. O Instagram demorou dois meses e meio a alcançar o primeiro milhão de utilizadores e a Netflix mais de três anos.
A adoção tecnológica acelera rapidamente e já não permite decisões lentas e burocráticas. As empresas precisam de estruturas ágeis e processos lean, que simplifiquem etapas, dividam projetos em fases testáveis e permitam aprender com o erro. Com esta filosofia, conseguem inovar, agir em tempo útil e decidir onde investir ou o que abandonar, antecipando-se à concorrência num cenário de mudança constante.
Eixo 3 – Recursos humanos capacitados
Uma estrutura com dados interligados e processos lean exige pessoas preparadas. É preciso capacitar equipas e recrutar perfis capazes de definir roadmaps de IA, estruturar dados e analisar processos. A formação contínua, o treino em projetos reais, as equipas multidisciplinares e o apoio de especialistas externos aceleram a adaptação. No recrutamento, devem ser valorizados os perfis estratégicos que ligam tecnologia e negócio.
Para os Marketers
Não podia terminar este artigo sem deixar uma palavra para os meus colegas de profissão. Os tempos que se aproximam são desafiantes, mas isso é espetacular! Há todo um admirável mundo novo para descobrirmos! E para isso, só temos de fazer o que sabemos fazer de melhor: ser curiosos, fazer perguntas, aprender e testar continuamente.
Hermana Noronha, Head of Marketing, Communication & Design da WOOK

