SEO quando ninguém pediu

O Head of New Channel Growth nos CTT, Miguel Simões, reflete sobre o facto de o o SEO continuar longe de estar no topo das prioridades de muitos decisores, sendo que surge como resposta a sintomas concretos. O profissional desvenda ainda um pouco do que vai abordar na sua palestra na SEO Conference onde vai explorar dimensão estratégica e organizacional deste conjunto de técnicas.

SEO quando ninguém pediu

Raramente existe um decisor que pense ser importante investir em SEO. Na maioria das empresas, o tema surge de forma indireta. O tráfego caiu, a concorrência aparece sistematicamente à frente no Google ou o custo por lead está a aumentar. O pedido raramente é “precisamos de SEO”. O pedido é “precisamos de resultados”.

É neste momento que começa o verdadeiro trabalho. Introduzir internamente uma área que muitos decisores não dominam, nunca experimentaram e onde o retorno não é imediato. O SEO não tem a visibilidade instantânea de uma campanha paga nem a tangibilidade de um evento ou de uma ativação. Trata-se de uma disciplina estrutural, muitas vezes invisível e silenciosa, o que dificulta a sua defesa em reuniões de orçamento.

No SEO Conference irei explorar precisamente esta dimensão estratégica e organizacional do SEO. Como traduzir conceitos técnicos em impacto real no negócio? Como sair da linguagem de rankings e palavras-chave e passar a falar de quota de mercado, aquisição sustentável e redução da dependência de investimento em paid media? E como construir um business case quando não existe histórico interno que sustente o investimento?

Vender SEO dentro de uma organização exige três movimentos essenciais. Primeiro, enquadrar o tema na linguagem da gestão: risco, oportunidade e eficiência. Depois, encontrar aliados dentro da organização, como equipas de performance, conteúdo, IT ou produto, que sintam as limitações atuais. Por fim, começar com iniciativas de escala reduzida, mas com métricas claras que permitam demonstrar tração e gerar confiança.

“SEO quando ninguém pediu” é, no fundo, um exercício de liderança informal, muitas vezes horizontal. Implica identificar uma oportunidade antes de se tornar evidente, educar o mercado interno e demonstrar valor numa área que muitas vezes permanece fora do radar da gestão.

Porque a realidade é simples. Ninguém pede SEO. As organizações pedem crescimento. E quando o SEO é enquadrado como motor estratégico desse crescimento, deixa de ser visto como uma tática de marketing e passa a ser entendido como uma alavanca de transformação do negócio.

Miguel Simões, Head of New Channel Growth nos CTT

Sexta-feira, 13 Março 2026 11:02


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