Tecnologia e futuro: A IA e as gerações vindouras

A Data & AI Advisor da KPMG Portugal, Catarina Candeias, reflete sobre o impacto da inteligência artificial nas gerações futuras.

Tecnologia e futuro: A IA e as gerações vindouras

Buzzword. É assim que muitos ainda descrevem o termo Inteligência Artificial (IA).

Para uns, é um conceito associado a robôs que dominarão o mundo; para outros, é uma ameaça invisível que substituirá vários empregos ou funções. A verdadeira questão não é se a IA transformará a sociedade, mas como as gerações futuras irão encarar essa nova revolução.

Atualmente, os jovens estão cada vez mais conectados aos seus dispositivos móveis e mais familiarizados com os algoritmos inteligentes do que com o toque do papel. Desta forma, o digital é-lhes mais natural do que o mundo físico, que está a perder gradualmente a sua relevância. Conforme Andrew Grove salientou, “there are two options: adapt or die”, o que não poderia ser mais pertinente neste cenário disruptivo. As gerações que acompanharão a evolução da IA terão expectativas muito diferentes das anteriores, com necessidade de tecnologias mais integradas, mais eficientes e mais acessíveis.

Dito isto, entre as várias ferramentas de IA, destaco o Claude da Anthropic, o ChatGPT da OpenAI ou o Gemini da Google, que apresentam o mesmo conceito: melhorar a eficiência e produtividade humana, permitindo uma maior rapidez na execução de tarefas mais tediosas e rotineiras ou alavancando uma maior criatividade e otimização de processos complexos.

Por sua vez, outras plataformas evidenciam diferentes formas de inovação, como o Synthesia que gera vídeos com avatares de IA capazes de se expressar em mais de 140 idiomas; o Teal, que cria currículos personalizados e compatíveis com os sistemas de Applicant Tracking System (ATS), de acordo com as descrições das ofertas de emprego; ou o DeepL, focado na melhoria da comunicação através da tradução em mais de 30 línguas com recurso a IA. A verdade é que não sou exceção – utilizo todas estas ferramentas no meu dia a dia.

Apesar de todas as suas potencialidades, a IA não é uma solução tecnológica sem riscos. Questiono o número de vezes que alguém já aceitou acriticamente uma resposta de um chatbot sem se interrogar sobre a precisão ou veracidade da informação gerada. Um dos casos mais predominantes atualmente é a criação de vídeos ou de áudios de diferentes indivíduos a exprimirem palavras que nunca proferiram, colocando-os em situações inverídicas: os chamados deepfakes. Como jovem cidadã também estou sujeita a este tipo de situações, que pode originar desinformação e difamação. Do meu ponto de vista, são algumas as questões com um único senão: a resposta raramente é tão simples quanto o algoritmo parece sugerir.

Neste sentido, acredito que a literacia digital é uma das competências mais requeridas na tomada de decisões, podendo mitigar escolhas equívocas, produzidas por algoritmos enviesados. Se as crianças e jovens não forem instruídos para analisar a IA de forma crítica, corremos o risco de criar uma geração dependente da tecnologia, mas sem as ferramentas certas para questioná-la. As organizações detêm um papel fundamental na preparação deste futuro disruptivo, através de uma adoção mais ética e responsável da IA.

O impacto da IA nas gerações futuras será inevitável. Enquanto líderes, devemos garantir que a sua marca seja positiva e uma extensão do potencial humano; não uma ameaça ao que é mais importante: a capacidade de pensar criticamente.

Catarina Candeias, Data & AI Advisor da KPMG Portugal

Terça-feira, 06 Janeiro 2026 10:54


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