A FMG nasce do desejo de assegurar que os resultados e o capital produzidos pela Casa Mendes Gonçalves continuem a contribuir para o território que a viu nascer, em 1982. Segundo o CEO, Tiago Pereira, esta é uma das principais motivações para a criação da organização, que segue um modelo ainda pouco comum em Portugal, mas já frequente na Europa Central e do Norte.
A Fundação assume-se como de base comunitária, distinguindo-se de modelos mais tradicionais ou de matriz corporativa pela forma como estrutura a sua ação e os seus órgãos sociais. A participação da comunidade nos processos de decisão e gestão é uma das características deste modelo, que se traduz numa intervenção centrada na Golegã e na região envolvente. A intervenção está, assim, orientada para responder às necessidades do território, contribuindo para a melhoria das condições de vida e do bem-estar da comunidade, mas também para afirmar a região como território de inovação e desenvolvimento.
A definição da fronteira entre o propósito da Fundação e os objetivos da empresa foi, desde o início, um dos desafios do projeto. Nesse sentido, uma das soluções passou por estabelecer que não existe uma associação direta entre as vendas, os produtos, as marcas ou os projetos da CMG e o trabalho da FMG. Esta distinção está também refletida na missão da Fundação, orientada para servir a comunidade, enquanto a empresa reforçou as suas próprias políticas e ações de responsabilidade social junto das equipas e dos trabalhadores.
A atuação da Fundação assenta em três pilares: Educação, Nutrição e Regeneração. No primeiro, a aposta centra-se na educação dos zero aos dez anos, com particular atenção dos zero aos três. A escolha desta faixa etária resulta da procura de adicionalidade, através do investimento numa fase menos apoiada por outros atores e considerada decisiva para o desenvolvimento das crianças. Tiago Pereira remete para os dados recentemente publicados do PISA – Programme for International Student Assessment, que evidenciam diferenças entre crianças de contextos mais desfavorecidos e crianças provenientes de outras realidades. “Diversos estudos demonstram que essas crianças, quando iniciam a sua escolaridade obrigatória, revelam já um atraso muito significativo do ponto de vista do seu desenvolvimento”, diz.
Por seu turno, o programa Nutrir procura preencher uma lacuna na valorização da nutrição e da alimentação saudável enquanto dimensões do estilo de vida e do bem-estar. Assume também uma dimensão preventiva face a doenças que retiram anos e qualidade de vida a muitas pessoas em Portugal.
Já a iniciativa Regenerar, parte da degradação do solo, mas também da experiência acumulada pela CMG com o seu projeto de agricultura regenerativa. Nesse sentido, foi criado um projeto que trabalha aspetos como a literacia, a formação, a investigação, a transição de práticas para uma agricultura regenerativa e para modos de produção mais sustentáveis, bem como os consumos mais atentos das novas gerações.
Mais do que responder a necessidades concretas através destes três eixos, a FMG procura construir uma intervenção com impacto duradouro no território. A ambição passa por estabelecer uma relação de proximidade e confiança com a comunidade, mas também por experimentar novas soluções e retirar aprendizagens desse processo. É nesta lógica que a Fundação se quer afirmar como um “laboratório vivo de experimentação”, com potencial para desenvolver modelos que possam ser adaptados e replicados noutros territórios.
Diferentes percursos, uma missão comum
A Fundação Mendes Gonçalves reúne, nos seus órgãos sociais, personalidades com experiências e percursos distintos. O CEO explica que esta é uma ideia fundamental desde o início, com a intenção de acomodar a dimensão de pertença e de presença da comunidade. Entre os nomes, encontra-se o presidente do Conselho de Curadores e antigo ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo, que lidera um conjunto de mais 12 curadores. Tiago Pereira destaca ainda a presidente do Conselho Executivo, Conceição Zagalo, que articula a ação mais próxima do dia a dia e da equipa; e que integra também o Conselho de Administração, composto por outros seis elementos.

