A opinião de… Sofia Formosinho, do Metropolitano de Lisboa

O tempo também é uma questão de sustentabilidade

A opinião de... Sofia Formosinho, do Metropolitano de Lisboa

Quando falamos de sustentabilidade, pensamos quase sempre em emissões, energia ou reciclagem. E bem. Mas há um recurso que raramente entra nesta conversa e que, ao contrário de tantos outros, não se renova: o nosso tempo.

Cada minuto gasto no trânsito, à procura de lugar para estacionar ou a descortinar itinerários, é um tempo subtraído à vida real. São minutos subtraídos ao que realmente importa: estar com a família, ter tempo para acompanhar os filhos, rever amigos, ir a um concerto ou dar-nos ao luxo de não fazer nada — o que é, convenhamos, um plano perfeito.

No Metro de Lisboa, gosto de pensar na sustentabilidade desta forma: não apenas naquilo que conseguimos poupar ao planeta, mas sobretudo no que podemos devolver às pessoas.

A dimensão ambiental é incontornável. Transportar milhares de pessoas numa mesma rede permite utilizar melhor o espaço e os recursos. E temos a obrigação de olhar para dentro: para a energia que consumimos, para os equipamentos mais eficientes, para os materiais que escolhemos e para o desperdício que evitamos.

Mas se queremos cidades com menos carros, não basta ter bons transportes públicos. Precisamos que haja articulação uns com os outros. Metro, autocarros, comboios, barcos, bicicletas e percursos a pé, têm de fazer parte da mesma solução.

É essa a relevância da intermodalidade. Não se trata apenas de ligar diferentes transportes, mas de tornar essas ligações simples, rápidas e convenientes. Com informação integrada, horários articulados e percursos que façam sentido na vida real.

Porque ninguém quer uma viagem cheia de obstáculos. A vida das pessoas não se deve moldar à oferta de transportes; pelo contrário, os transportes é que têm de dar resposta às necessidades de quem os utiliza.

Para além disso há também a questão de inclusão. Uma cidade sustentável tem de ser acessível a todos, independentemente da idade, da condição física ou do lugar onde se vive.

Por isso, quando pensamos em 2050, prefiro começar por hoje. Por uma viagem mais simples, uma ligação que funciona, uma informação que chega a tempo. E pela responsabilidade que temos de tornar o transporte público uma escolha cada vez mais natural.

Porque a verdadeira mudança não acontece quando pedimos às pessoas que deixem o carro em casa. Acontece quando lhes damos boas razões para o fazer.

Afinal, uma cidade sustentável vai além da eficiência energética e da poupança de recursos. É, acima de tudo, uma cidade que nos devolve tempo para viver.

Sofia Formosinho, diretora de Comunicação e Marketing do Metropolitano de Lisboa

Quarta-feira, 28 Outubro 2026 09:21


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