Este restaurante é como um Rio. De Prata. Que #ProvamosEAprovamos

Entrar no Rio de Prata é como estar no exterior. Paradoxal? Não, intencional. Porque este foi mesmo o propósito que guiou o jovem empresário Bernardo Ventura na conceção deste restaurante à beira Tejo, na renovada zona de Braço de Prata.

Este restaurante é como um Rio. De Prata. Que #ProvamosEAprovamos

Só por esta continuidade, acentuada pela luz natural que contamina o espaço, estava garantida uma “nota” positiva. Havia, porém, que degustar. Mas, antes, impunha-se saber mais sobre o que levou Bernardo Ventura, a fazer carreira como piloto, a trocar a aviação comercial pelo cockpit de um restaurante.

A semente germina desde a infância, com muito tempo passado na cozinha, em convívio familiar. E com a grande inspiração de uma tia nonagenária, cozinheira durante muitos anos para a família Champalimaud, e que ainda hoje não dispensa preparar refeições para a família.

Uma colaboração com um restaurante lisboeta, não na gastronomia ou gestão, mas na decoração, confirmou que este era o caminho por onde queria continuar, alimentando a ideia de ter um negócio próprio. Foi o pai que se deparou com o espaço à beira rio, no novíssimo Prata Riverside Village. As obras começaram em maio de 2022 e o Rio de Prata abriu em novembro.

Bernardo Ventura conta que tinha uma ideia muito clara do que pretendia. Pretendia integrar elementos do exterior, de modo a que o interior não se sobrepusesse. Pretendia que o restaurante respirasse, que fosse circular e fluído, como o rio.  Daí a escolha de materiais como a madeira, mas também o aço corten, o contributo da zona industrial envolvente. O pontão em frente vive também numa decoração em que predominam os tons terra, com apontamentos verdes naturais. E a reforçar a fluidez imprimida ao espaço, uma escultura prateada, assinada por Valentim Quaresma, acompanha as duas salas: simboliza um rio e foi pensada como um fio condutor entre o Tejo e o Rio de Prata.

Deixar respirar o restaurante foi uma das intenções, o que explica as vidraças rasgadas para o exterior, mas também a cozinha aberta para a sala. Este é o território de Carla Sousa, chef portuguesa de ascendência cabo-verdiana, que se propõe conjugar as suas raízes duplas nos pratos que idealiza.

Com uma experiência que inclui restaurantes do Bairro Alto Hotel e do Hotel Valverde, entre outros, este surgiu como o projeto ideal, um espaço 0 km, que lhe deu a oportunidade de formar a sua própria equipa.

Tal como Bernardo, também Carla cresceu num ambiente de dedicação à gastronomia. Lidar com os alimentos sempre a fascinou. E, nas férias de verão, trabalhou em restaurantes, mas no atendimento. “Queria era ir para a cozinha”, partilha. O que viria a acontecer.

É a altura para saber o que se (a)prova no Rio de Prata. Nas entradas, foi difícil escolher – entre couve-flor assada na lenha com tomate concassé, croquetes de alheira e compota de pimentos, ovos rotos com duo de batata, e chamuça de pato e laranja confitada, a disputa pelo primeiro lugar foi renhida, mas a chamuça brilhou pela originalidade, pela textura da carne e, claro, pelo sabor.

O pato voltaria a estar presente numa combinação também invulgar – coxa confitada com polenta aromatizada. Teve a companhia de um clássico português – bochechas estufadas, com puré de castanhas e maçã. E de bacalhau à chef – é uma presença contínua na carta, se bem que a receita vá mudando.

Nas sobremesas, pontuaram a torta yuzu com creme de baunilha e o mil-folhas de pistácio e sorbet – este, claramente, vencedor, pelo contraste de texturas, ainda que a torta tenha somado pontos pela oferta de um final de refeição equilibrado, não demasiado doce.

A experiência não ficaria completa sem uma nota sobre as originais casas de banho. Sim, as casas de banho, que se estão a tornar um território de criatividade no design de interiores. As do Rio de Prata merecem uma visita.

Fátima de Sousa

 

Sexta-feira, 14 Abril 2023 16:31


PUB