As marcas tradicionais não precisam de parecer jovens

A autenticidade deixou de ser apenas um atributo para se tornar um critério de escolha. É esta a convicção da responsável de Marketing e Comunicação da Montiqueijo, Constança Santos, que reflete sobre a forma como as marcas podem valorizar a sua história sem perder relevância junto dos consumidores.

As marcas tradicionais não precisam de parecer jovens

Durante muito tempo, a evolução do marketing esteve associada à capacidade de acompanhar tendências, adotar novas plataformas e adaptar a linguagem a cada target ou geração. Esse continua a ser um desafio relevante, mas a mudança mais significativa está na forma como as marcas constroem confiança. Hoje, as marcas já não são avaliadas apenas pelo que vendem, mas também pela forma como explicam quem são, de onde vêm e que valores representam.

No setor alimentar, esta transformação é particularmente evidente, uma vez que a qualidade do produto continua a ser indispensável, mas já não é suficiente para se tornar numa preferência. Os consumidores querem conhecer a origem, perceber os processos, identificar-se com os valores e conhecer as pessoas que estão por detrás daquilo que consomem. 

Este contexto cria uma oportunidade interessante para marcas portuguesas com história, pois a tradição continua a ser um fator de diferenciação, sobretudo quando está associada ao saber-fazer, à produção nacional e à ligação com o território. A Geração Z, muitas vezes associada à novidade e ao imediato, valoriza também a autenticidade e procura marcas fiéis à sua identidade e sejam transparentes na forma como comunicam.

Por isso, o desafio das marcas tradicionais não passa por apagar o passado para parecerem atuais, mas sim por traduzir esse património para códigos de comunicação mais próximos, claros e relevantes. A inovação nem sempre exige novos produtos, embalagens ou mudanças radicais de posicionamento, muitas vezes, passa por encontrar novas formas de contar uma história antiga, através dos bastidores, de explicar processos e de transformar conhecimento técnico em conteúdo útil.

As redes sociais têm aqui um papel decisivo, porque funcionam como espaços de proximidade e educação, permitindo mostrar o que antes ficava invisível: a matéria-prima, as equipas, a produção e os detalhes de qualidade, aproximando o consumidor da marca sem forçar uma relação artificial.

A autenticidade tornou-se por um isso num critério de confiança, porque as novas gerações identificam facilmente uma comunicação demasiado comercial ou criada apenas para seguir tendências, valorizando marcas que comunicam com naturalidade, assumem a sua identidade e mostram consistência entre aquilo que dizem e fazem.

Para muitas empresas portuguesas, este é um momento particularmente estratégico: a produção nacional, a história e o saber-fazer ganham novo valor quando comunicados de forma simples, envolvente e próxima. As marcas tradicionais não precisam de parecer jovens para conquistar novos públicos; precisam, isso sim, de afirmar a sua relevância e autenticidade até porque aquilo que é verdadeiro não segue tendências, mas atravessa gerações.

Constança Santos, responsável de Marketing e Comunicação da Montiqueijo

Terça-feira, 14 Julho 2026 12:18


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