Briefing | A L’Agence apresenta-se como a mais antiga e experiente agência de modelos, atores e apresentadores em Portugal. Onde residem as maiores mudanças desde 1988?
Elsa Gervásio | Em 1988, quando a L’Agence abriu portas, Portugal era muito diferente do que é hoje, havia na altura um desejo muito grande de mudança no País e a moda e a publicidade acompanharam esses ventos de mudança. Num mercado pouco regulado era importante existirem regras e organização na área do agenciamento. Em 1988, o mercado era sobretudo um mercado de publicidade sem uma segmentação definida como existe hoje em dia. Entretanto, passaram 37 anos e o mundo mudou e com ele mudou também o setor do agenciamento. A comunicação e a inovação tecnológica não pararam de evoluir, com a alteração ao nível dos computadores, telemóveis e plataformas digitais… A publicidade também alterou as suas plataformas de comunicação, diminuindo o investimento em jornais e revistas, que atualmente são quase inexistentes, para a Internet nomeadamente as redes sociais.
Assim, penso que a mudança mais impactante foi realmente a forma como ao longo dos anos nos reinventamos e nos fomos adaptando às novas tecnologias e a uma nova forma de trabalhar. As exigências do próprio mercado são diferentes com timings de resposta quase imediatos.
Olhando para trás, há algum momento que considere particularmente emblemático na trajetória da agência?
Com a alteração da estrutura societária, a L’Agence, que estava sobre a chancela de uma holding, ficou independente, sendo atualmente eu e o Nuno Beijoca os sócios da agência. Isto permitiu-nos gerir a empresa de outra forma, mais virada para as pessoas com a possibilidade de contratar profissionais altamente qualificados, para responder aos novos desafios, permitindo melhorar a capacidade de resposta da agência bem como a satisfação dos clientes. E, também não posso deixar de mencionar, como mais um momento emblemático da L’Agence, a abertura do nosso escritório na Avenida da Liberdade, centro nevrálgico da moda em Portugal.
De que forma a L’Agence se adaptou às mudanças no setor ao longo das últimas décadas?
A segmentação em departamentos especializados para cada necessidade dos clientes e a criação do departamento digital permitiram a adaptação às novas realidades e exigências de mercado com inovadoras formas de comunicação. A L’Agence divide-se na seguinte estrutura: L’Agence Models é responsável pela seleção, formação e gestão de carreiras de modelos nacionais e internacionais, em Portugal e no estrangeiro. A L’Agence Commercial e L’Agence Kids são departamentos mais direcionados para a publicidade e representação. Neles estão agenciadas pessoas de todas as idades e com os perfis mais variados. A L’Agence Talents é responsável pela seleção, formação e gestão de carreiras, não só de novos talentos, mas também de atores consagrados e apresentadores de televisão. Transversal a qualquer departamento dos que falamos está então o departamento digital, em constante crescimento e adaptado às necessidades do mercado. Com uma equipa multidisciplinar, em 2024 reforçamos a equipa comercial com uma área de New Business, na parte operacional desenvolvemos a criatividade, definimos o planeamento e operacionalizamos os projetos no seu todo, de acordo com os briefings dos clientes e sempre com vista aos objetivos estabelecidos.
O que procuram as marcas numa cara para um anúncio?
Cada marca tem o seu ADN e as caras escolhidas para um determinado produto, normalmente são diferentes de marca para marca. Os clientes procuram e pedem-nos constantemente que apresentemos caras novas, pois, na maior parte das vezes, não querem utilizar caras que já estejam associadas a outras marcas. A publicidade mexe com as emoções e é de alguma forma aspiracional, no entanto, hoje em dia, o que se procura numa cara, é que, além de vender um produto ou um sonho, as pessoas se consigam rever, procuram alguém que personifique aquilo que desejam transmitir ao consumidor final.
Como encaram o papel dos influenciadores na publicidade atual?
Desde sempre que o propósito da publicidade é influenciar. Atualmente o que mudou foi a forma como o faz e os meios que utiliza para o fazer. Com o surgimento das redes sociais e dos influenciadores e a capacidade destes impactarem milhões de seguidores, o mercado mudou e as marcas descobriram uma nova forma de comunicar e de influenciar os seus consumidores de maneira orgânica e atingindo o seu publico-alvo de uma forma mais segmentada e assertiva.
A relação entre influenciador e seguidor é muito relacional e impactante, o público vê esta comunicação como orgânica e natural, não sente que esteja a ver publicidade e, por isso, acaba por ser mais fácil reter a informação e influenciar padrões de consumo. O feedback que recebemos dos nossos clientes e parceiros é que efetivamente o marketing de influência tem resultados muito positivos e, por isso, os influenciadores são, hoje em dia, determinantes e fundamentais na comunicação das marcas.
Que estratégias têm sido implementadas para manter a L’Agence relevante numa indústria em constante evolução?
A L’Agence tem 37 anos e o seu core é trabalhar quatro áreas distintas – Models, Commercial, Kids e Talents. Muita coisa mudou em Portugal em especial na área do agenciamento de talentos, tão competitiva e desafiante, por isso tentamos sempre mantermo-nos flexíveis e fazer adaptações àquilo que o mercado nos pede e proporciona.
A grande alteração será, possivelmente, a introdução ainda maior do digital. Desde 2014 que temos um grande foco neste tipo de comunicação, transversal às quatro áreas que mencionei. Logo nessa altura, tínhamos uma rede de blogues e trabalhávamos o Facebook, havia já algumas parcerias com marcas e estávamos no arranque daquilo que hoje em dia chamamos de Marketing de Influência. Como nesta área tudo acontece a uma enorme velocidade, dos blogues até ao aparecimento do Instagram foi um gap muito curto de tempo e o digital teve um crescimento exponencial na faturação global da agência.
Em 2018, reforçámos a equipa com funções especializadas, de forma a garantir que o influenciador é trabalhado da melhor forma possível e que conseguimos dar às marcas e agências de comunicação um serviço de excelência. A nossa estratégia foi também a de apostar numa equipa mais jovem e dinâmica, que dominasse as tecnologias do digital e que pensasse esta área do marketing de influência como um desafio do qual era obrigatório sair vencedor.
Atualmente, temos um board com cerca de 50 influenciadores, nas mais variadas categorias e segmentos. Queremos crescer esse board e para 2025 decidimos também fazer um rebranding desta área, direcionando o departamento para Content Creators e chegar a um público mais jovem. O nosso objetivo é conseguir dar resposta aos pedidos dos nossos clientes e mantermo-nos relevantes num mercado em constante evolução.
Quais são os grandes objetivos da L’Agence para os próximos cinco a dez anos?
A L’Agence pretende continuar a ser a principal agência em Portugal, representando os principais talentos do mercado. Garantir a satisfação dos seus clientes, bem como dos seus colaboradores, tornando o negócio cada vez mais sustentável. É importante também reforçarmos que um dos grandes objetivos futuros, e que acompanham a L’Agence desde sempre, é a constante modernização e adaptação a tudo o que nos envolve e nos é solicitado seja o mercado, um cliente, ou um agenciado. Trabalharmos o presente de forma a uniformizarmos cada vez mais o futuro e fazer parte dele.
Sofia Dutra

