Oh, Federico! #ProvamosEAprovamos o restaurante do Palácio Ludovice

Jantar no Federico, o restaurante do Palácio Ludovice, no Bairro Alto, em Lisboa, é um desafio constante para o olhar, dividido entre o que chega à mesa, saído da cozinha do chef Ricardo Simões, e as luzes pendentes do teto, em que pontua uma ampla claraboia, criando o efeito de um céu estrelado.

Oh, Federico! #ProvamosEAprovamos o restaurante do Palácio Ludovice

De dia, a claraboia é como uma fonte que inunda de luminosidade a experiência gustativa, ganhando contornos mais intimistas quando escurece e quando se acendem as lâmpadas que dela pendem, a diferentes alturas. Os jardins verticais que emolduram o claustro transformado em restaurante completam o ambiente.

Foi sob estas “estrelas” que decorreu a degustação das propostas do chef lisboeta cujo currículo inclui hotéis de cinco estrelas e um restaurante com estrela Michelin, o São Gabriel, no Algarve. Antes de nos oferecer um menu de degustação assente nos best of, faz questão de afirmar que ali não serve uma cozinha de fine dining, mas, sim, cozinha familiar, que é possível fazer em casa.

É um adepto dos produtos locais, tal como o sommelier Miguel Ventura é indefetível das castas portuguesas. É dele a responsabilidade da harmonização vínica deste jantar. E, também ele faz questão de uma afirmação prévia: aos clientes, mesmo aos estrangeiros, propõe-se sempre dar a conhecer os produtores nacionais, desconstruindo os rótulos, quase como uma formação.

Começa, pois, por servir um rosé do Douro, Castro 2022, um blend de touriga nacional e tinta roriz, pálido e cítrico, que casa muito bem com o tártaro de atum, com creme de maçã verde e gin. Já para os croquetes de leitão com maionese de caril e uma salada asiática, propõe um Três Bagos Sauvignon Blanc, da Lavradores da Feitoria, que considera ideal para cortar a gordura da carne. Os croquetes, esses, estavam de “comer e chorar por mais”.

Mas, não havia razões para chorar, antes pelo contrário, pois estava a chegar robalo cozinhado em água do mar, com batata fumada e creme de carabineiro. E, com ele, o copo recebia um vinho do Alentejo, da casta Antão Vaz – Herdade da Calada Reserva 2019.

A surpresa da noite, gastronomicamente falando, combina magret de pato com chocolate, com a laranja e o gengibre a pontuarem no tempero da carne, e o amendoim e a avelã a completarem a cremosidade achocolatada. Um Gradil Reserva 2019, um blend de touriga nacional e alicante bouschet de Lisboa, foi a companhia ideal para este prato.

Chegada a hora da sobremesa, nada mais lisboeta do que pastel de nata, com gelado de café e caramelo salgado. Foi a continuidade perfeita de uma certa luxúria gustativa proporcionada pelo prato anterior. Aqui, para saborear com moscatel roxo, um Horácio Simões 2007.

Um final feliz, portanto. E uma experiência que #provamoseaprovamos. Sem dúvida.

Fátima de Sousa

 

Quinta-feira, 27 Julho 2023 12:22


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