#ProvamosEAprovamos a cozinha com identidade do INARI

Na Comporta, há um lugar onde o arroz não é só alimento, é matéria-prima e ponto de partida para uma história. Esse lugar chama-se INARI.

#ProvamosEAprovamos a cozinha com identidade do INARI

Entre arrozais, pinhais e o ritmo da natureza, ergue-se um restaurante com alma portuguesa e uma carta que rejeita modas. Esqueçam o fine dining de manual: aqui serve-se identidade. Com consultoria do chef Vítor Sobral, a cozinha resgata o melhor da gastronomia portuguesa, com um pé na tradição e o outro na inovação, mas sempre com os olhos na terra.

Vítor Sobral junta-se ao Wellness Boutique Resort Quinta da Comporta com uma missão clara: recentrar a experiência gastronómica no que é genuíno. A crítica não é indireta. O chef natural de Melides aponta o dedo à padronização da restauração, cada vez mais moldada pelos critérios do Guia Michelin. “Os restaurantes estão todos iguais. Já não se come feijão em Lisboa. Falta identidade”.

O nome, inspirado na divindade japonesa dos campos férteis, evoca prosperidade e colheita. A verdadeira força do INARI está nas raízes locais, agora revisitadas com o cunho de Vítor Sobral, moldado ao longo de décadas de dedicação à cozinha portuguesa. E é com a cumplicidade do chef Luís Espadana – parceiro de longa data – que o restaurante se torna a extensão natural da sua forma de estar: simples, rigorosa, autêntica.

A carta, com assinatura portuguesa e sotaque internacional, divide-se entre o regional e o global, entre o grelhado e o tártaro, entre o pica-pau que conquista francófonos e os pratos vegetarianos que surpreendem pela delicadeza. Aqui, tudo é pensado para que o cliente sinta menos um hotel, mais uma casa regional, onde se pode comer porco, arroz malandrinho, croquetes como os da infância ou pavlova com creme de pistácio. “Vir a Portugal e não comer porco? Não faz sentido”, diz Vítor Sobral.

Como qualquer casa bem vivida, a Quinta da Comporta tem uma horta generosa. É de lá que provêm sabores como os da batata-doce, abóbora, favas, couves, ervas aromáticas… Duas estações demoraram a equilibrar a terra, mas hoje há sabor, cor e tempo. Um tempo que se saboreia nas tempuras da horta, nos bolinhos de arroz com queijo da ilha, ou num ceviche, que Vítor Sobral prefere não chamar peixe marinado, ou “ninguém pede”, brinca.

“Não queremos ser mais um fine dining indistinto”, diz o chef. “Queremos celebrar a portugalidade, dar ao cliente aquilo que ele não encontra em qualquer lado, identidade”.

Essa visão é partilhada pelo arquiteto e fundador da Quinta da Comporta, Miguel Câncio Martins, que passou aqui muitas férias de infância. É essa ligação emocional ao lugar que ajuda a explicar o cuidado com que todo o projeto foi pensado. É também sua a decisão de integrar a arte no espaço. Logo à entrada do restaurante, a escultura de 12 metros de Joana Vasconcelos evoca bagos de arroz e vigia a eira central, que será recuperada como novo palco de convívio. Ali ao lado, o Oryza Spa ocupa o antigo barracão de arroz, e a marca de beleza homónima – feita a partir do arroz local, agora com patente registada – fecha o círculo.

Para os próximos anos, há planos de expansão: mais quartos, outro restaurante e uma horta ainda maior. Mas a essência não muda. Aqui, o luxo está na simplicidade. E o futuro desenha-se como a Comporta pede: devagar, com raízes fundas e horizontes largos.

Sofia Dutra

Sexta-feira, 18 Julho 2025 12:23


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